“Eu acho que não (enfraquece a candidatura). Pelo seguinte: eu acho que existe um cansaço já com o PT muito grande, uma fadiga de material, uma incapacidade de vender esperança. As pessoas estão meio sem perspectiva. A gente tem uma série de problemas, isso está sendo discutido, e tem o cansaço da população. Então, por isso, eu acho que não atrapalha a candidatura”, afirmou o governador de São Paulo em 14 de maio, um dia após o áudio se tornar público.
Tarcisio disse ainda que a postura adotada pelo senador ao responder às acusações foi adequada. “O Flávio imediatamente procurou dar todos os esclarecimentos, entrou em campo, falou do que se tratava. Eu acho que ele precisa continuar dando os esclarecimentos à medida que as perguntas forem aparecendo, que é fundamental que todo mundo tenha segurança na relação do que aconteceu”, disse. “Deu a cara a tapa, foi lá, falou, se pronunciou e procurou explicar o que aconteceu”, acrescentou.
Ministro da Infraestrutura nos quatro anos da presidência de Jair Bolsonaro (2018 a 2022), Tarcísio de Freitas ocupa o governo de São Paulo desde 2023. Nome cotado por alas da direita para concorrer à presidência em 2026, ele optou por seguir no cargo estadual e buscar a reeleição no fim do ano.
Engenheiro, militar da reserva e político em ascensão no campo conservador brasileiro, Tarcísio de Freitas nasceu em 19 de junho de 1975 no Rio de Janeiro. Por 12 anos, ele foi militar do Exército brasileiro, com formação em ciências militares pela Academia Militar das Agulhas Negras em 1996. Ao longo dessa carreira, alcançou o posto de capitão e também concluiu graduação e mestrado em engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia (IME). Entre 2005 e 2006, atuou na missão da ONU no Haiti como
Antes de ingressar oficialmente na política partidária, Tarcísio de Freitas ocupou cargos de destaque na área de infraestrutura do governo federal. Ele comandou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) como diretor-executivo e diretor-geral, durante o governo Dilma Rousseff (PT), além de atuar na coordenação do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) durante a gestão de Michel Temer, que assumiu a presidência após o impeachment de Dilma.
No fim de 2018, foi escolhido por Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Infraestrutura, cargo que exerceu até 2022. Pouco antes de disputar sua primeira eleição, filiou-se ao Republicanos, legenda ligada ao Centrão e integrante da base de apoio do governo no Congresso Nacional.
Embora não tivesse trajetória política tradicional nem histórico eleitoral, Tarcísio ganhou espaço no governo ao liderar projetos de concessão de rodovias, aeroportos, ferrovias e portos. Durante sua gestão, o ministério apostou na ampliação de parcerias com a iniciativa privada e em leilões voltados à infraestrutura logística.
O então ministro passou a ser visto como um dos integrantes mais técnicos da gestão Bolsonaro e conseguiu manter interlocução com setores empresariais e parte do mercado financeiro. Ao mesmo tempo, aproximou-se politicamente do núcleo bolsonarista e passou a participar com frequência de agendas políticas e discursos alinhados ao ex-presidente.
Em 2022, Tarcísio disputou pela primeira vez uma eleição e foi escolhido pelo Republicanos como candidato ao governo paulista, mesmo sem ter trajetória política construída no estado. Com apoio decisivo de Bolsonaro, venceu a disputa no segundo turno contra Fernando Haddad (PT) e assumiu o comando do maior colégio eleitoral do país em janeiro de 2023.
À frente do Palácio dos Bandeirantes, o governador passou a equilibrar um discurso de perfil técnico com posicionamentos conservadores em temas políticos e econômicos. Ao mesmo tempo, Tarcísio buscou manter diálogo com setores empresariais e lideranças de diferentes correntes políticas, estratégia que ajudou a ampliar sua influência nacional.
Tarcisio de Freitas é casado desde 1997 com Cristiane Freitas, que além de ser primeira-dama do estado de São Paulo é presidente do Fundo Social de São Paulo (FUSSP). O casal tem dois filhos, Matheus e Letícia.