Com 40 anos de carreira, Kabengele contou em entrevista que precisou lutar, desde o princípio, para superar o preconceito e o racismo estrutural e conquistar seu espaço e o respeito de colegas atores, diretores, produtores e roteiristas. Segundo ele, as barreiras nunca foram motivo para desistir de seus sonhos. Para o ator, a família representa a base de sua vida e de suas conquistas. Casado há 23 anos com a artista plástica Vera Rocha, ele é pai de Mwanza, de 19 anos.
Por isso, o ator também destacou a importância do pai em sua criação, já que cresceu sob o exemplo de alguém que sempre colocou a sobrevivência e a educação da família em primeiro lugar. Reservado, ele afirmou que gosta de se vestir bem, estar com os familiares e aproveitar a companhia de poucos amigos próximos. A música também ocupa um espaço essencial em sua rotina. É por meio dela que Bukassa encontra conexão com a espiritualidade e momentos de paz interior.
Saiba mais, a seguir, sobre Bukassa Kabengele. Nascido no dia 3 de fevereiro de 1973, ele é um ator e cantor congo-brasileiro conhecido por atuar em diversas produções de sucesso da TV brasileira. O artista tem passagens por diferentes emissoras do país, como RecordTV, SBT, TV Cultura e TV Globo.
Ele nasceu em Bruxelas, na Bélgica, porque, na época, seu pai, um respeitado antropólogo do Congo, realizava mestrado no país, antiga potência colonizadora da República Democrática do Congo. Depois, voltou ao Congo, onde viveu dos 2 aos 10 anos. Em seguida, a família imigrou para o Brasil como refugiada política para que seu pai pudesse realizar o doutorado quando Bukassa tinha 10 anos de idade.
Na televisão, Kabengele começou a carreira em 2002, ao dar voz a Bum, em “Ilha Rá-Tim-Bum”, da TV Cultura. No ano seguinte, interpretou Zé Pedra na famosa série da TV Globo “A Casa das Sete Mulheres”, de Jayme Monjardim. A partir daí, esteve em diversas produções de diferentes emissoras.
Na TV Globo e no Globoplay, participou de produções como “Mad Maria”, “JK”, “Liberdade, Liberdade”, “Os Dias Eram Assim”, “Cidade dos Homens”, “Malhação: Vidas Brasileiras”, “Carcereiros”, “Filhos da Pátria”, “Chapa Quente”, “Amor Perfeito”, “Mania de Você”, “A Nobreza do Amor”, “Falas Negras” e “O Jogo que Mudou a História”.
Na Record, esteve nas novelas “Vidas Opostas” e “Revelação”. Já no SBT, participou de “Vende-se um Véu de Noiva”. Bukassa também acumulou trabalhos para plataformas de streaming e canais por assinatura. Entre eles estão “Irmandade”, “Mila no Multiverso”, “Emergência Radioativa”, “Impuros”, “Jogo da Corrupção”, “Dona Beja”, “Mandrake” e “9mm: São Paulo”.
Já no cinema, estreou no drama “Sonhos Tropicais”, em 2001. Em seguida, participou de produções como “Carandiru”, “Vista Minha Pele”, “Pacificado”, “A Suspeita”, “Fervo”, “Atrás da Sombra”, “Ninguém Sai Vivo Daqui” e “Malês”. Em 2024, deu voz ao personagem Rafiki na versão brasileira de “Mufasa: O Rei Leão”.
Na música, Bukassa fez parte da banda Skowa e a Máfia, grupo paulistano de soul e funk com fortes influências da diáspora africana. Pela banda, lançou os álbuns “La Famiglia”, de 1989, e “Eppur si Muove - Contraste e Movimento”, de 1990.
O artista também construiu carreira solo na música e lançou canções como “Brilho da Noite”, composta após uma noite boêmia ao lado do amigo Baioky, além de “Azul da Cor do Mar” e “Coleção”.
Bukassa Kabengele também participou de apresentações musicais ao lado de grandes nomes da música brasileira, como Marisa Monte e Elba Ramalho. O artista cantou e dançou em turnês realizadas na Europa, nos Estados Unidos, no Japão e em países africanos.