A medida envolve notas de R$ 2, R$ 5, R$ 10, R$ 20, R$ 50 e R$ 100 emitidas naquele período inicial do Plano Real, além da cédula comemorativa de R$ 10 criada em celebração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil. Segundo o Banco Central, a substituição dessas notas ocorre principalmente por causa do desgaste natural provocado pelo longo tempo de circulação, já que muitas delas permanecem em uso há mais de três décadas.
O processo faz parte de uma política contínua de renovação do papel-moeda brasileiro. Em julho de 2024, o BC publicou uma instrução normativa reforçando os procedimentos para recolhimento das cédulas antigas, justamente em um momento em que as transferências instantâneas e os pagamentos digitais ganham cada vez mais espaço no cotidiano dos brasileiros.
O avanço do Pix reduziu significativamente a necessidade de uso de dinheiro em espécie em diversas operações do dia a dia, desde pequenas compras até pagamentos de contas e transferências pessoais.
A mudança não significa o fim do dinheiro físico no Brasil. O papel-moeda continua sendo considerado importante para diferentes setores da economia e ainda é bastante utilizado por parte da população, principalmente em regiões com menor acesso bancário ou em situações nas quais os meios digitais não estão disponíveis. O que acontece, na prática, é apenas a retirada gradual de uma versão antiga das cédulas, substituída por modelos mais modernos e com novos elementos de segurança.
O Banco Central esclarece que as notas antigas continuam válidas e podem ser utilizadas normalmente em qualquer estabelecimento comercial. Não existe prazo para que a população faça a troca imediata das cédulas.
O recolhimento ocorre de forma progressiva: quando essas notas chegam aos bancos por meio de depósitos, pagamentos ou troco, as instituições financeiras fazem a separação e encaminham o material ao sistema responsável pela custódia do dinheiro. Dessa maneira, o recolhimento e substituição permanece concentrado nas instituições financeiras, sem necessidade de mobilização direta dos cidadãos.
De acordo com informações divulgadas pelo portal UOL, aproximadamente 3% das cédulas da Primeira Família do Real ainda estavam em circulação no ano passado. Embora a porcentagem seja relativamente pequena, ela demonstra que parte significativa dessas notas segue presente no cotidiano de muitos brasileiros, especialmente em transações em dinheiro vivo.
As cédulas da Primeira Família do Real possuem características visuais bastante diferentes das versões mais recentes. Muitas delas trazem estilos gráficos antigos e elementos de segurança menos sofisticados do que os utilizados atualmente. Ainda assim, o Banco Central ressalta que esses modelos contam com mecanismos próprios de autenticação, desenvolvidos para dificultar falsificações na época em que foram produzidos.
Entre os principais itens de segurança presentes nas notas antigas estão a marca-d’água, a imagem latente, a impressão em alto-relevo, o registro coincidente e, em alguns casos, a faixa holográfica. A marca-d’água pode ser visualizada ao colocar a cédula contra a luz, revelando imagens incorporadas ao papel durante sua fabricação. Já a imagem latente aparece quando a nota é inclinada em determinados ângulos.
Nos últimos anos, o Banco Central vem apostando em versões mais modernas das cédulas, com tecnologias de segurança mais avançadas e maior resistência ao desgaste físico. Além de dificultar falsificações, essas mudanças ajudam a prolongar a vida útil do dinheiro em circulação e reduzem custos de reposição para o sistema financeiro nacional.
Mesmo com o crescimento das transações digitais, autoridades econômicas afirmam que o dinheiro em espécie ainda desempenha papel importante na economia brasileira. Por isso, o processo atual é tratado como uma atualização natural do meio circulante, e não como uma preparação para extinguir as cédulas no país.