“Os cuidados certos ajudam a garantir tanto a qualidade nutricional quanto a segurança do alimento, conforme orientam os manuais de higiene e manipulação de hortaliças”, explicou a professora do Departamento de Nutrição e Dietética da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal Fluminense (UFF), Manuela Dolinsky. A seguir, veja as dicas dadas pela revista 'Casa e Jardim' para garantir a melhor qualidade possível da alface!
Muitas pessoas priorizam apenas o tamanho do pé de alface ou o preço mais baixo, sem observar sinais importantes de conservação. Folhas amareladas, escuras, murchas ou viscosas indicam início de deterioração e podem revelar maior risco de contaminação. O ideal é escolher folhas firmes, crocantes, limpas e com coloração viva. O talo também merece atenção: ele deve apresentar aspecto verde-claro e textura resistente, sem partes muito moles.
Nas versões já cortadas e embaladas, de acordo com Dario Centurione, responsável pelo perfil de dicas SOS Alamanaque, é importante verificar a validade, a refrigeração e a presença excessiva de líquido dentro do pacote, já que a oxidação acontece de forma mais rápida. Fique atento às condições de venda, pois elas também influenciam diretamente na qualidade do alimento.
Hortaliças expostas ao sol, ao calor excessivo ou próximas ao chão perdem nutrientes mais rapidamente e ficam mais vulneráveis à proliferação de bactérias e fungos. Outro erro bastante comum aparece durante o processo de lavagem.
Muitas pessoas acreditam que apenas enxaguar as folhas em água corrente resolve o problema, mas esse processo não elimina adequadamente os microrganismos presentes na superfície da alface. Produtos como vinagre, detergente e bicarbonato de sódio também não garantem higienização eficiente.
A recomendação mais segura envolve o uso de solução com hipoclorito de sódio próprio para alimentos. Após lavar folha por folha em água corrente, a alface deve permanecer submersa por cerca de dez minutos na solução indicada pelo fabricante ou na proporção recomendada por especialistas.
Depois disso, é necessário enxaguar novamente em água potável. A direção da lavagem também faz diferença. O correto é lavar da ponta da folha em direção à base, permitindo que resíduos escorram para fora da área consumida. Após a higienização, outro cuidado essencial costuma ser ignorado: a secagem completa das folhas.
Guardar a alface úmida acelera o escurecimento, reduz a crocância e favorece a multiplicação de fungos e bactérias. O ideal é utilizar centrífugas específicas ou papel-toalha limpo para retirar o excesso de água antes de armazenar. A forma de conservação na geladeira também interfere na durabilidade.
Especialistas orientam guardar as folhas em recipientes secos e limpos, com camadas de papel-toalha entre elas para absorver a umidade. O papel deve ser trocado periodicamente para evitar acúmulo de água. A gaveta destinada às hortaliças costuma oferecer as melhores condições de temperatura e umidade.
Outro ponto importante envolve a contaminação cruzada. A alface nunca deve ficar em contato direto com carnes cruas, ovos ou outros alimentos que possam transferir bactérias para as folhas. Com cuidados simples, a hortaliça permanece fresca por mais tempo e pode ser consumida com muito mais segurança e qualidade.
Vale lembrar que, além da versão americana mais comum nas saladas, existem diversos tipos de alface consumidos no Brasil, como crespa, lisa, romana e roxa, cada uma com textura, sabor e valor nutricional diferentes. As folhas mais escuras, por exemplo, costumam apresentar maior concentração de vitaminas, fibras e antioxidantes importantes para o organismo.