Durante algum tempo, Poveglia manteve uma população estável, composta principalmente por pescadores e famílias ligadas às atividades comerciais de Veneza. A história da ilha mudou radicalmente a partir do século 14, quando a peste bubônica passou a representar uma ameaça constante para a população veneziana. Como Veneza era um dos principais centros comerciais da Europa, navios provenientes de diversas partes do mundo chegavam diariamente à cidade, aumentando o risco de disseminação de doenças c
Para conter os surtos, as autoridades adotaram medidas rigorosas de quarentena e transformaram Poveglia em um local destinado ao isolamento de pessoas infectadas ou suspeitas de portar enfermidades perigosas. Durante centenas de anos, milhares de indivíduos foram enviados para a ilha, muitos deles sem qualquer perspectiva de retorno. Nos períodos mais severos das epidemias, doentes, viajantes e tripulações inteiras permaneceram isolados em Poveglia.
Muitos morreram no local e foram enterrados ou cremados na própria ilha. Estimativas históricas sugerem que dezenas de milhares de pessoas perderam a vida ali ao longo dos séculos. Esse passado sombrio deixou marcas profundas na memória coletiva da região. Arqueólogos e historiadores acreditam que parte considerável do solo da ilha contém restos humanos e camadas de cinzas acumuladas durante os períodos de maior mortalidade. Com o fim das grandes epidemias, Poveglia perdeu gradualmente sua funçã
No entanto, a ilha voltou a ser utilizada para fins médicos no início do século 20, quando passou a abrigar instalações hospitalares destinadas a pacientes que necessitavam de isolamento. Algumas estruturas foram reformadas e novos edifícios surgiram para atender às necessidades da época.
Na segunda metade do século 20, as atividades médicas foram encerradas e os edifícios ficaram vazios. Sem manutenção adequada, as construções começaram a se deteriorar rapidamente. A vegetação avançou sobre caminhos, pátios e áreas abertas, criando um cenário de ruínas que chama a atenção de fotógrafos, historiadores e exploradores urbanos.
O aspecto abandonado do local contribuiu para o surgimento de inúmeras histórias sobre fenômenos paranormais, aparições e acontecimentos inexplicáveis. A fama de ilha assombrada ganhou força especialmente nas últimas décadas, impulsionada por programas de televisão, documentários e reportagens sensacionalistas.
Algumas narrativas afirmam que espíritos das vítimas da peste ainda vagam pela região. Outras mencionam supostos eventos sobrenaturais ligados ao antigo hospital. Apesar da popularidade dessas histórias, não existem provas científicas que sustentem tais alegações.
A ilha permanece fechada ao turismo regular e possui acesso bastante restrito. Diversos projetos de recuperação foram discutidos ao longo dos anos, mas poucos saíram do papel. Em 2014, o Estado tentou leiloar a concessão do terreno para a construção de um hotel de luxo, mas o plano fracassou. Atualmente, pescadores evitam as águas calmas ao redor do complexo devido ao medo de redes presas a fragmentos de ossos humanos.