Em 2025, a população chinesa caiu pelo quarto ano consecutivo, passando de cerca de 1,408 bilhão de habitantes no fim de 2024 para aproximadamente 1,405 bilhão no fim de 2025
Após décadas liderando o ranking populacional mundial, a China foi ultrapassada pela Índia em 2023, tornando-se o segundo país mais populoso do planeta. A mudança foi confirmada por estimativas da ONU e reflete a combinação entre a queda da natalidade chinesa e o crescimento contínuo da população indiana
Por outro lado, o número de óbitos voltou a superar com folga o de nascimentos. Em 2025, a China registrou cerca de 11,31 milhões de mortes, acima dos 10,93 milhões contabilizados em 2024.
As raízes dessa tendência de queda populacional estão, em parte, na antiga política do filho único, em vigor de 1979 a 2015. Somam-se a isso a rápida urbanização, o alto custo de criar filhos nas grandes cidades, a insegurança econômica e o adiamento do casamento e da maternidade, fatores que continuam reduzindo a natalidade no país.
Em resposta, o governo chinês adotou uma série de iniciativas para estimular os nascimentos. Entre elas está o incentivo para que universidades ofereçam cursos de 'educação amorosa', com o objetivo de promover uma visão mais positiva sobre casamento, relacionamentos, família e fertilidade entre os estudantes.
Em julho de 2025, a China anunciou um programa nacional de incentivo à natalidade. A medida prevê o pagamento de 3.600 yuans por ano (cerca de US$ 530) para cada criança com menos de três anos de idade, com o objetivo de reduzir os custos da criação dos filhos e estimular o aumento dos nascimentos.
O envelhecimento populacional é uma preocupação crescente na China. Em 2025, as pessoas com 60 anos ou mais já representavam cerca de 23% da população. Projeções indicam que esse grupo deverá superar 400 milhões de pessoas até 2035, aumentando a pressão sobre o mercado de trabalho, a previdência e os serviços de saúde.
A redução da população em idade ativa, somada ao enfraquecimento da base de consumo, cria riscos para o crescimento econômico. Ao mesmo tempo, governos locais, já pressionados por dívidas, enfrentam demanda crescente por serviços sociais, saúde e previdência.
A situação da China não é um caso isolado. Países como Japão, Coreia do Sul e Itália também enfrentam desafios relacionados à queda da natalidade, ao declínio populacional e ao envelhecimento da população, um fenômeno que preocupa economistas e governantes em diversas partes do mundo.