As estimativas apontam que a área abriga mais de 2,1 milhões de cápsulas de ovos, número que pode ser ainda maior, já que parte das regiões mais profundas não entrou nos cálculos. A maioria dos ovos pertence à raia-branca-do-Pacífico (Bathyraja spinosissima), espécie adaptada às grandes profundidades oceânicas.
Diferentemente dos ovos das aves, os embriões dessas raias permanecem protegidos por cápsulas resistentes, ricas em colágeno, conhecidas popularmente como 'bolsas de sereia'. Quando recém-formadas, elas apresentam coloração amarelada, mas escurecem com o passar do tempo devido ao acúmulo de sedimentos e à colonização por pequenos organismos marinhos.
Cientistas acreditam que as fontes hidrotermais exercem papel essencial no desenvolvimento dos embriões, pois aquecem a água ao redor das cápsulas e reduzem o longo período de incubação, que pode ultrapassar quatro anos em águas frias.
Estudos anteriores nas Ilhas Galápagos já haviam demonstrado que a maior parte dos ovos dessa espécie (89%) se concentra próxima às áreas de maior temperatura no fundo do mar. Outro fator importante é a presença de corais vivos e rochas expostas às correntes marinhas, que oferecem sustentação às cápsulas e favorecem a circulação de água rica em oxigênio.
Pesquisas realizadas em montes submarinos próximos à Tasmânia também revelaram preferência semelhante, reforçando a importância desses habitats para a reprodução das raias. Para estimar o tamanho do berçário canadense, os cientistas analisaram milhares de fotografias captadas por veículos submarinos operados remotamente entre 2021 e 2024.
Após calcular a densidade média de 5.566 cápsulas (cerca de 2,58 por metro quadrado), os pesquisadores extrapolaram os dados para toda a área estudada (aproximadamente 824 mil metros quadrados), chegando ao impressionante total de mais de 2,1 milhões de ovos.