Os eventos ocorridos na cidade de Giruá, no Rio Grande do Sul, no dia 28 de julho, exemplificam o avanço de um fenômeno que ganha força bem antes do seu pico tradicional, previsto historicamente para os meses de primavera.
Quando isso acontece, ventos extremamente fortes podem provocar destruição em áreas urbanas e rurais, com danos a construções, plantações e redes de energia. A formação desse tipo de evento depende da combinação entre calor, umidade e mudanças na velocidade e na direção dos ventos em diferentes altitudes.
Tais fatores contribuem para o desenvolvimento de tempestades rotativas conhecidas como 'supercélulas'. Embora a previsão indique regiões propícias para temporais, ainda não existe tecnologia capaz de determinar com antecedência o local exato e o horário em que um tornado surgirá. Na prática, os alertas costumam oferecer poucos minutos para que a população busque proteção.
O oeste dos estados do Sul e áreas do sul de Mato Grosso concentram os casos mais intensos, resultado do encontro entre o ar quente e úmido transportado da Amazônia e as massas de ar frio vindas da Argentina, combinação que fortalece a instabilidade atmosférica. Apesar dessa concentração, registros também já ocorreram em outras partes do país.
Segundo uma reportagem da BBC News Brasil, especialistas concordam que o maior número de celulares com câmera elevou a quantidade de registros de tornados, mas ainda há divergência quanto à influência das mudanças climáticas.
Parte da comunidade científica considera que as mudanças climáticas também exercem influência ao ampliar as condições favoráveis para tempestades severas, enquanto outros pesquisadores defendem que ainda faltam evidências suficientes para confirmar essa relação de forma definitiva.
Contudo, há consenso de que o Brasil é o segundo país com mais registros de tornados, atrás apenas dos Estados Unidos em quantidade de eventos intensos documentados. Para o futuro, projeções meteorológicas indicam a continuidade de eventos severos ao longo dos próximos meses.