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Nasa divulga nova representação da Terra baseada em 1 bilhão de medições


A Nasa divulgou uma nova representação tridimensional da Terra baseada em mais de 1 bilhão de medições realizadas por 19 satélites ao longo de 15 anos. A imagem não mostra o formato físico do planeta, mas o chamado geoide, modelo que representa as variações do campo gravitacional terrestre.

Por Flipar
Divulgação NASA

O geoide mostra como seria a superfície dos oceanos caso a água permanecesse completamente parada, sem influência de marés, ventos ou correntes. Nesse modelo, o que determina a forma do geoide é a distribuição de massas no interior da Terra, como rochas, magma e água subterrânea.

Pexels / Mathias Reding

A representação foi produzida com o modelo global 'GOCO06s', que combina dados das missões 'GOCE', da Agência Espacial Europeia, e 'GRACE', desenvolvida pela Nasa em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão. A missão 'GRACE' utilizou dois satélites que voaram separados por cerca de 220 quilômetros para detectar variações extremamente pequenas na gravidade terrestre.

Divulgação

Para tornar visíveis diferenças que normalmente seriam imperceptíveis, os cientistas ampliaram a escala das variações verticais entre 7 mil e 10 mil vezes. Dessa forma, a imagem destaca pequenas alterações na intensidade do campo gravitacional ao redor do planeta.

Divulgação NASA

Michael Watkins, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, explicou em um estudo sobre as propriedades do geoide que a variação na distribuição dos materiais nas profundezas da Terra cria colinas e vales no campo gravitacional do planeta.

Pexels / Nikita Belokhonov

As regiões com maior concentração de massa, como a Cordilheira dos Andes e o Himalaia, onde a gravidade é mais intensa, aparecem em tons avermelhados. Já áreas de menor densidade e, consequentemente, com menor intensidade gravitacional, como partes do Oceano Índico e da bacia do Rio Congo, são representadas em azul.

Divulgação NASA

No entanto, segundo Watkins, o campo gravitacional da Terra não é estático e sofre alterações constantes, principalmente por causa do deslocamento da água na superfície do planeta. O cientista explicou que essas mudanças ocorrem mês a mês, à medida que a água se movimenta pela superfície terrestre e altera a distribuição de massa do planeta.

Pexels / Zelch Csaba

Além de ajudar a compreender a estrutura interna da Terra, o mapeamento do geoide é uma ferramenta importante para monitorar o ciclo da água, estimar reservas subterrâneas, acompanhar o derretimento de geleiras e medir com maior precisão a elevação do nível dos oceanos.

Pexels / Zelch Csaba