Baseadas na segunda lei de Newton, elas tratam o fluido como um meio contínuo, sem a necessidade de acompanhar individualmente cada molécula. Um dos grandes desafios matemáticos relacionados a essas equações é saber se um movimento inicialmente suave pode, em algum momento, produzir uma velocidade que cresça sem limite em um intervalo finito.
Esse fenômeno, chamado singularidade, indicaria um ponto em que as equações deixam de representar adequadamente o comportamento de um fluido, embora não signifique que velocidades infinitas possam existir na realidade. Segundo a OpenAI, seu modelo encontrou um cenário matemático em que essa singularidade pode ocorrer, mesmo com uma força externa suave e energia total finita.
Para chegar ao resultado, a empresa mobilizou 10 mil agentes de inteligência artificial durante cerca de 88 horas e gastou milhões de dólares em capacidade computacional. O processo produziu 2,7 milhões de mensagens e cerca de 130 bilhões de tokens, volume comparável ao conteúdo de aproximadamente um milhão de livros.
A equipe também submeteu a demonstração a uma verificação computacional e publicou um documento de 165 páginas com a argumentação completa. O modelo responsável pela descoberta ainda não foi lançado e, segundo a empresa, apresenta desempenho muito superior ao GPT-6 Astra em testes internos de matemática.
A evolução chama atenção porque sistemas de IA, há poucos anos, apresentavam dificuldades até com exercícios matemáticos elementares. Agora, essas ferramentas já alcançam resultados de alto nível em competições e começam a atacar questões abertas da matemática.
O anúncio ocorreu em meio a uma disputa entre laboratórios de inteligência artificial, que passaram a tratar avanços científicos como demonstrações de capacidade tecnológica. A OpenAI acelerou o trabalho após rumores de que pesquisadores ligados à Anthropic haviam solucionado um problema do mesmo prêmio.
O episódio gerou uma controvérsia sobre a proximidade entre as duas pesquisas e sobre eventual acesso de modelos da OpenAI a trabalhos ainda não publicados. A empresa negou que seus agentes ou pesquisadores tenham consultado o estudo concorrente antes de sua divulgação.
As equações de Navier-Stokes foram formuladas no século 19 por Claude-Louis Navier e George Gabriel Stokes e hoje ajudam a explicar fenômenos que vão da aviação à previsão meteorológica e à circulação sanguínea. Apesar da repercussão, a OpenAI não pretende reivindicar o prêmio de US$ 1 milhão, já que seu objetivo declarado é demonstrar o avanço de seus sistemas de IA.