Entre os entrevistados, 41% disseram não consumir alimentos frescos diariamente, enquanto 33% relataram comer ultraprocessados pelo menos três vezes por semana. As frituras aparecem com frequência semelhante: 31% afirmaram consumi-las três ou mais vezes por semana.
O álcool também faz parte da rotina de 41% dos brasileiros ouvidos, que disseram ingerir bebidas alcoólicas ao menos uma vez por semana. Outro dado relevante diz respeito à falta de atividade física, já que 42% declararam nunca praticar exercícios.
O levantamento, que ouviu 2.015 pessoas, ainda identificou uma diferença importante entre as faixas etárias. Entre os participantes de 16 a 24 anos, 17% disseram consumir ultraprocessados todos os dias, índice quatro vezes superior ao registrado entre aqueles com 60 anos ou mais, de 4%.
Para especialistas, a exposição prolongada a fatores de risco pode ter consequências décadas depois, já que o câncer gástrico costuma apresentar evolução silenciosa. O médico Felipe Coimbra, do A.C.Camargo, destaca que hábitos adquiridos cedo podem aumentar a exposição a esses fatores ao longo da vida.
'O câncer que vai aparecer daqui a vinte ou trinta anos começa a ser construído agora. O risco tem relação com o tempo de exposição e com a dose. Quem se expõe cedo carrega isso pela vida inteira, na maior parte das vezes sem saber', afirmou ele à CNN Brasil.
Além da alimentação inadequada, do sedentarismo, do consumo de álcool e do tabagismo, a presença da bactéria Helicobacter pylori também está associada ao desenvolvimento do tumor. A infecção pode ser identificada e tratada, o que permite reduzir seus impactos. Um dos grandes desafios, porém, está no reconhecimento da doença.
Os primeiros sinais costumam se parecer com problemas digestivos comuns, como gastrite. Por essa razão, muitos casos são descobertos quando o câncer já está em estágio avançado. Azia persistente, queimação ou dor abdominal, sensação de estufamento, saciedade precoce, dificuldade para engolir, emagrecimento sem explicação, anemia e fezes escurecidas estão entre os sinais que merecem avaliação médica.