Perguntado se a OMS planejava declarar uma emergência de saúde pública, o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, se limitou a responder: 'Acredito que precisamos garantir que as palavras escolhidas sejam bem ponderadas'. Além disso, ele disse que a agência está pronta para oferecer apoio 'de qualquer maneira'. Veja o que se sabe até agora sobre o caso!
O alerta surgiu após Darya Shipilova, uma funcionária de 28 anos que trabalha em um instituto de pesquisa sobre peste adoecer e morrer em circunstâncias desconhecidas, no dia 2 de outubro, o que levou cerca de 200 pessoas a uma quarentena. Apesar das preocupações, autoridades russas informaram à OMS que não havia casos confirmados de peste em Irkutsk.
As primeiras declarações de autoridades locais apontaram para uma possível infecção por peste, mas a versão oficial mudou nos dias seguintes. O Serviço Federal de Supervisão de Defesa do Consumidor e Bem-Estar Humano da Rússia afirmou que a jovem morreu de uma pneumonia de origem indeterminada e que os exames não detectaram microrganismos relacionados ao trabalho que exercia.
Diante das informações contraditórias, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu que Moscou forneça mais detalhes sobre o episódio. Segundo ele, o governo americano acompanha a situação de perto. A preocupação aumentou após relatos de que cerca de 197 pessoas que tiveram contato com Shipilova passaram por observação médica.
O episódio ainda alimentou rumores sobre um possível acidente no laboratório, inclusive uma versão sobre o rompimento de um tubo de ensaio, mas nenhuma dessas informações foi comprovada. Organizações internacionais também passaram a acompanhar o caso, entre elas o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).
A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis e continua presente em focos naturais, inclusive entre roedores de regiões da Sibéria. A forma pneumônica merece atenção porque pode provocar transmissão entre pessoas e evoluir rapidamente sem tratamento. Apesar disso, antibióticos costumam ser eficazes contra a infecção.
Especialistas consultados pela imprensa avaliam que um surto amplo é improvável, sobretudo porque os contatos da paciente foram identificados e podem receber atendimento rapidamente caso apresentem sintomas. A doença também não tem hoje as mesmas condições de disseminação que favoreceram as grandes epidemias do passado.