A iniciativa já conta com 104 locais distribuídos pela cidade, que juntos ocupam cerca de 17,3 hectares. Essas estruturas utilizam sistemas de drenagem urbana sustentável, conhecidos como SUDS, que permitem a infiltração da água no solo e reduzem o volume direcionado às redes convencionais de escoamento.
O projeto também inclui pisos permeáveis, canteiros vegetados e espaços que retêm temporariamente a água antes de liberá-la para o terreno. Desde 2019, a extensão dessas instalações cresceu aproximadamente 3,5 vezes. Somente em 2025, os dispositivos administraram cerca de 370 milhões de litros de chuva.
Outro benefício está na retenção de parte dos poluentes que a água carrega das ruas, o que ajuda a reduzir a chegada desses resíduos ao solo e às reservas subterrâneas. Para ampliar a estrutura, a prefeitura projeta um investimento de 10,2 milhões de euros (equivalente a aproximadamente R$ 64 milhões) nos próximos três anos.
A expansão, entretanto, depende de avaliações técnicas que consideram as características do terreno, a inclinação das ruas, a profundidade do lençol freático e a localização de tubulações e outras redes subterrâneas. A transformação também procura enfrentar um problema comum nas grandes cidades: as ilhas de calor urbanas.
Em média, Barcelona registra temperaturas cerca de 3°C superiores às das áreas externas ao perímetro urbano, com diferenças que podem alcançar 7°C ou 8°C em determinados pontos. A presença de árvores e vegetação contribui para oferecer sombra e amenizar o aquecimento das superfícies.
A prefeitura, portanto, associa a gestão da água à criação de espaços públicos mais agradáveis e adaptados às mudanças climáticas. Essa proposta acompanha outras intervenções que reduzem o espaço destinado aos automóveis e ampliam as áreas para pedestres, ciclistas e vegetação.
Um exemplo são as superquadras, modelo de reorganização viária que restringe a circulação de veículos em determinados conjuntos de ruas e permite instalar áreas de convivência em meio à vegetação. Apesar dos avanços, a retirada do pavimento não é viável em todos os locais, já que as condições do solo e a infraestrutura subterrânea impõem limitações.
Com isso, Barcelona vem selecionando os pontos adequados e amplia a rede gradualmente, com o objetivo de tornar o espaço urbano mais permeável, verde e preparado para chuvas intensas e períodos de calor que têm se tornado cada vez mais comuns.