De acordo com o arqueólogo Diego Garate, da Universidade da Cantábria, entender essas obras exige considerar a interação dos artistas com as superfícies rochosas. Ao longo dos anos, estudiosos associaram as pinturas à fertilidade, à identidade de grupos, a rituais xamânicos e ao desenvolvimento do pensamento simbólico.
Essa experiência reforçou a hipótese de que a arte rupestre deve ser analisada em seu ambiente original, e não apenas como imagens estáticas. As marcas de mãos oferecem pistas semelhantes: estudos do arqueólogo Paul Pettitt identificaram impressões próximas a fendas e saliências que poderiam servir de apoio aos visitantes.
Em El Castillo, Garate e Palacio Pérez também encontraram desenhos de animais que aproveitam os relevos naturais da pedra. Algumas rachaduras parecem completar chifres ou formar o dorso de cavalos, o que sugere uma possível colaboração entre a natureza e a criatividade humana.
Outro exemplo é o chamado homem-bisão, esculpido em uma estalagmite e marcado pela combinação de características humanas e animais. Alguns estudiosos sugerem que a imagem represente um xamã coberto por uma pele, mas essa interpretação permanece incerta. A possibilidade de os artistas terem explorado esses efeitos ainda precisa de confirmação.