Manuela Sá*
Fotos inéditas da construção de Brasília compõem o livro de arte Brasília: Geraldo Vieira, escrito pela jornalista Fernanda Torquato. Com 457 negativos em preto e branco, a obra, em pré-venda, traz imagens que mostram a cidade no processo de se tornar capital, feitas pelo fotógrafo mineiro Geraldo Vieira.
De acordo com o neto Henrique Vieira, a vontade do fotógrafo de registrar o nascimento de Brasília foi motivada pela paixão. Envolvido com a comunidade e idealista, Vieira nutria uma "relação pessoal com a loucura de Juscelino Kubitschek" de construir a capital em uma área deserta. Esse vínculo também se devia ao fato de o tio do presidente ser de Araguari (MG), onde morava Vieira. Era um sentimento comum entre os habitantes da cidade a admiração por Kubitschek e por suas ideias.
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Descrito por Henrique como aventureiro e repórter nato, o fotógrafo veio para Brasília em diferentes ocasiões interessado em fazer registros de momentos importantes. Na primeira vez, veio acompanhado de uma turma de cerca de 20 pessoas para a primeira missa da capital. Nas vezes seguintes, Vieira veio de Kombi. Era a vontade de ver de perto a concepção da cidade que o levou a percorrer 400 km em estrada de terra e fotografar o que encontrou aqui. Há também fotos da inauguração, feitas quando ele veio acompanhado da família.
O neto destaca a engenhosidade de Vieira. Sabendo da dificuldade que teria em fazer imagens de Juscelino Kubitschek, sempre rodeado de jornalistas e admiradores, o fotógrafo usou um cabo de vassoura para colocar sua Rolleiflex no alto e tirar bons registros do presidente. Para essa invenção, a família deu o nome de "trapizonga". Henrique Vieira conta que a criatividade para inovar era característica marcante do avô. "Sua casa era cheia de engenhocas. Algumas para manter a porta aberta, outras para não desligar a torneira", lembra.
Curiosidades
Fernanda conta que no livro é possível ver imagens que contam curiosidades. Uma das fotos, por exemplo, captura o momento em que o ator americano Leo Carrillo, conhecido por interpretar caubóis, coloca o chapéu na cabeça de Juscelino Kubitschek em uma visita à cidade. Há também registros da corrida de carros feita no dia da inauguração de Brasília, em que aparecem ferraris e porsches. "Elas falam do passado de uma cidade moderna", descreve a jornalista Fernanda.
Para a autora, essas imagens são o ápice da fotografia de Vieira em questão de estética. Ela conheceu as obras do mineiro a partir de fotos penduradas no Museu dos Ferroviários de Araguari. Já os registros de Brasília estão sob os cuidados da família. Fernanda observa que essas imagens dão ênfase aos monumentos e a grandiosidade da cidade que estava para surgir. "Pelas fotos, parece uma pessoa que está diante de algo muito exuberante, que deseja exaltar", finaliza.
*Estagiária sob a supervisão de Márcia Machado
