Correio Braziliense
postado em 29/05/2020 19:00
Alunos da rede de academias Smart Fit têm reclamado que não conseguem cancelar as matrículas. Alguns clientes desejam suspender o serviço por não terem condições de pagar por ele, em razão da crise econômica desencadeada pela pandemia do novo coronavírus. Outros, porém, querem promover um boicote à rede depois de o dono, Edgard Corona, ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal que apura esquema de disseminação de notícias falsas (fake news).Nas rede sociais, vários usuários reclamaram que, ao tentarem cancelar o plano pela internet, são informados de que só o podem fazer presencialmente. Acontece, contudo, que as unidades da rede estão fechadas desde 19 de março em razão da pandemia de covid-19. Em resposta a alguns internautas, o perfil oficial da Smart Fit no Twitter informou que o cancelamento não pode ser realizado, uma vez que as matrículas estão congeladas no período — não havendo, portanto, cobrança de mensalidade, apenas da manutenção anual.
Estou tentando cancelar meu plano mas não consigo porque as academias no RJ estão fechadas. Como posso fazer? Preciso procurar o PROCON?
%u2014 Rael (@raelchaga)
A smartfit ta cobrando mensalidade no meu cartão e pra vc cancelar vc tem que ir PESSOALMENTE ou mandar UMA CARTA !
%u2014 Humberto (@Beto10)
E as lojas estão fechadas rapaz ta dificil mesmo
Na plataforma ReclameAqui, que reúne queixas de consumidores, a empresa tem 298 reclamações não respondidas. As mais recentes são todas relacionadas a tentativas frustradas de cancelamento ou a cobranças indevidas no período em que as academias estão fechadas.
Especialista em direito do consumidor e contratos, o advogado Victor Cerri, sócio do escritório Correa Porto Advogados, avalia que a conduta da Smart Fit é ilegal. "O consumidor poderia, por princípios contratuais e circunstanciais de pandemia ou mesmo relacionados à seara criminal, fazer esse cancelamento. Colocar obstáculos, já que há uma interrupção da prestação do serviço, não faz o menor sentido", pontua.
Aos clientes que se sentirem lesados, o especialista orienta buscar outros meios antes de levar o caso à Justiça que, segundo ele, é o "caminho mais demorado e oneroso". "Tentaria primeiro outros instrumentos, como o Procon, que costuma ter tramitações com esse tipo de reclamação. Há também o ReclameAqui, que é uma plataforma com a qual as empresas costumam se preocupar, e o Consumidor.gov.br, que é atrelado ao Procon e há um prazo para resposta, o governo fiscaliza, podendo até evoluir para uma multa. Não havendo resposta, aí sim o consumidor deve pensar em um processo para tentar terminar o contrato", afirma.
Procurada pelo Correio, a Smart Fit não havia se pronunciado até a mais recente atualização desta reportagem.
Operação da PF
CEO da Smart Fit, Edgard Corona foi alvo, na quarta-feira (27/5), de uma operação da Polícia Federal, autorizada no âmbito de um inquérito que investiga fake news e ataques contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Saiba Mais
Segundo as investigações, empresários como Corona e Hang financiariam ataques contra o STF, com uso, inclusive, notícias falsas. Na avaliação de Alexandre de Moraes, as provas colhidas na investigação apontam "sérios indícios" de que o grupo praticou os crimes de calúnia, difamação, injúria, associação criminosa e contra a segurança nacional.
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