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Correio Braziliense

Desvios em Formosa: Justiça ouve 12 testemunhas de defesa de religiosos

A próxima audiência, marcada para 9 de novembro, deve receber mais 13 testemunhas de defesa. Após essa fase, os réus deverão começar a ser interrogados


postado em 11/10/2018 21:44 / atualizado em 11/10/2018 21:44

Religiosos são acusados de desviar mais de R$ 2 milhões da Igreja Católica(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Religiosos são acusados de desviar mais de R$ 2 milhões da Igreja Católica (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) interrogou 12 testemunhas de defesa de religiosos acusados de desviar mais de R$ 2 milhões das 33 paróquias vinculadas à Diocese de Formosa. A audiência ocorreu na manhã desta quinta-feira (11/10), no salão do Júri da região. Deflagrada em 19 de março, a Operação Caifás, do Ministério Público de Goiás (MPGO), resultou na acusação de 11 pessoas, incluindo o bispo da região, dom José Ronaldo Ribeiro, que renunciou ao cargo em 12 de setembro.    

Nessa etapa, as testemunhas de defesa falaram sobre a conduta dos réus. Eles afirmaram que eram pessoas de confiança. A Justiça ouviu, também, o padre Romilson do Carmo, que, agora, após a denúncia, está à frente da contabilidade da Cúria de Formosa. Ele assumiu o cargo quando o bispo interventor, dom Paulo Mendes Peixoto, assumiu a Diocese. Ao juiz ele explicou como os processos administrativos da casa funcionam.  

A próxima audiência está marcada para 9 de novembro, quando mais 13 testemunhas de defesa deverão ser ouvidas pela Justiça. Um dos promotores à frente do caso, Douglas Chegury, explica que essa deve ser a última audiência para escutar testemunhas. “A nossa expectativa é de que os réus comecem a ser ouvidos em dezembro ou no início de janeiro. Eles ainda vão poder optar se vão se pronunciar ou se manterão silêncio”, comenta.  

No total, 10 dos 11 acusados compareceram à audiência. Apenas o padre Thiago Wenseslau, juiz eclesiástico, não acompanhou a sessão. Ele se mudou para Pernambuco (PE) e conseguiu liberação da Justiça para ficar em casa.  
 
Até o momento, a Justiça interrogou três testemunhas de acusação. Em 10 de setembro, data da primeira sessão, os padres João Manuel Lopes e Jarbas Dourado compareceram à audiência. Eles confirmaram ter havido um significativo aumento nos gastos por parte dos investigados e relataram ameaças sofridas para não revelar o esquema. Em 13 de setembro, o advogado Vitor Gonzaga foi ouvido. Ele é responsável por enviar ao MP a denúncia que originou a investigação. Ele acusou os religiosos de realizarem diversas irregularidades no caixa das paróquias.  

Além do bispo e do juiz eclesiástico, são acusados: Waldson José de Melo, Pároco da Paróquia Sagrada Família, em Posse; Guilherme Frederico Magallhães, secretário da Cúria de Formosa; Darcivan da Conceição Serracena, funcionário da Diocese de Formosa; Edmundo da Silva Borges Junior, advogado da Diocese de Formosa; Pedro Henrique Costa Augusto e Antônio Rubens Ferreira, empresários apontados como laranjas do esquema; Mario Vieira de Brito, pároco da Paróquia São José Operário, em Formosa; Moacyr Santana, pároco da Catedral Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Formosa; Epitácio Cardozo Pereira, vigário-geral; e José Ronaldo Ribeiro, bispo de Formosa.     

Habeas corpus 

Em 5 de setembro, advogados de seis dos réus encaminharam um pedido ao TJGO um pedido para cancelar a ação penal e impedir que o processo continue. A justificativa era de que a verba seria privada e os religiosos poderiam dar qualquer finalidade a elas. No entanto, em 11 de setembro, a desembargadora Carmecy Rosa Maria Alves de Oliveira indeferiu o pedido de forma preliminar. Agora, a liminar tramita na 2ª Vara Criminal de Formosa, onde o mérito será julgado.  

Entre as alegações dos advogados, está a afirmação de que a denúncia "é uma verdadeira peça de ficção produzida desde as investigações exclusivas realizadas pelo Ministério Público, como que buscando transformar atividades corriqueiras do exercício religioso e sua gestão interna em tipos penais alheios à atividade da Igreja Católica".  

Papa aceita renúncia   

Em 12 de setembro deste ano, o bispo dom José Ronaldo Ribeiro, acusado de ser mentor do esquema, renunciou ao cargo. A Nunciatura Apostólica no Brasil comunicou a decisão, acatada pelo papa Francisco. Em 9 de setembro, a defesa de dom José solicitou ao juiz permissão para ele se mudar para Brasília, já que o TJGO havia decidido que o bispo não poderia sair da comarca de Formosa. A Justiça concedeu o pedido, e o réu se mudou para Sobradinho, onde residem familiares dele.   
 
Com a saída de dom José, o bispo interventor dom Paulo Mendes Peixoto assumiu a Diocese de Formosa como administrador apostólico. De acordo com a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele acumulava duas funções e não deixará de realizar as pendências de Uberaba, onde atua como arcebispo.   

Mesmo com a renúncia, dom José permanece como bispo emérito. A Diocese de Formosa informou que a renúncia foi apenas do ofício de bispo e que ele ainda mantém o vínculo com a Igreja.  

Operação Caifás  

Deflagrada em 19 de março, a Operação Caifás, a cargo do Ministério Público do Estado de Goiás, investiga 11 pessoas por desvios de mais de R$ 2 milhões dos cofres da Igreja Católica. A suspeita é a de que eles tenham adquirido propriedades, veículos e joias com dinheiro pago pelos fieis em casamentos, batizados e eventos promovidos pelas paróquias e cujos preços foram reajustados.   

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