Cidades

Motorista que atropelou e matou ciclista também consumiu cocaína

O acidente ocorreu no sábado, na DF-459, que liga Ceilândia a Samambaia. A condutora conseguiu liberdade no domingo, após audiência de custódia. Vítima morreu nesta segunda-feira

Sarah Peres
postado em 27/01/2020 20:18
O carro estava com os pneus carecas e com o IPVA vencidoA motorista que matou o ciclista Jailson Barbosa, de 34 anos, confessou ter consumido álcool e cocaína antes do acidente. O caso ocorreu no sábado (25/1), na DF-459, que liga as regiões de Ceilândia e Samambaia. Ela conseguiu liberdade provisória no domingo (26/1), depois de passar por audiência de custódia. Nesta segunda-feira (27/1), a vítima faleceu, no Hospital Regional de Ceilândia (HRC). A 15; Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro) pode pedir nova prisão da condutora, de 24 anos, após finalização do inquérito.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Gutemberg Morais, a motorista responderá por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar). "Há muitos elementos que demonstram o risco que a motorista oferece. Ela estava embriagada, como comprovado no bafômetro, e confessou ter consumido cocaína, o que será confirmado por exame toxicológico. Além disso, ela é inabilitada. Também notamos que no local (do acidente), não havia marcas de frenagem. O carro parou a metros de distância do local da batida. Precisamos do laudo pericial de local para comprovar, mas, ao que tudo indica, ela pegou a vítima em cheio durante a decida da rodovia", destaca.
Jailson Barbosa foi atropelado enquanto pedalava pela ciclofaixaO investigador apurou que a condutora saiu de casa, na Cidade Estrutural, ainda na sexta-feira (24/1), já embriagada. "Ela e o marido decidiram encontrar uma amiga, em Ceilândia. Eles continuaram bebendo em uma distribuidora e, depois, foram ao bar. Neste último local, houve uma confusão e, então, eles decidiram ir para o Recanto das Emas, para a festa de um amigo. Isso já era a manhã de sábado. Nesse último trajeto ao evento, ela afirmou ter perdido o controle do veículo, invadido a ciclofaixa e atropelado o ciclista, que ia trabalhar", acrescenta Gutemberg Morais.

Morte e indignação

Após o atropelamento, Jailson foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC). Ele permaneceu internado, mas não resistiu aos ferimentos e morreu nesta segunda-feira (27/1). A família ficou muito abalada e indignada, uma vez que a condutora foi posta em liberdade.
Na decisão, a juíza Luciana Gomes Trindade analisou que a conduta "não evidenciou periculosidade exacerbada", mas frisou que "o caso é abstratamente grave". Para argumentar a deliberação, a magistrada afirmou que a "conduta em si não causou significativo abalo da ordem pública nem evidenciou periculosidade exacerbada da sua autora, de modo a justificar sua segregação antes do momento constitucional próprio. Além disso, esta possui diversas condições pessoais favoráveis, como o fato de ser primário e possuir bons antecedentes, a existência de residência fixa com confirmação do endereço a ser realizada perante o Juízo natural da causa e trabalho lícito."

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