Cidades

Cigana Milena: ''Ser sacerdote não é se autointitular'', afirma Federação

A suspeita, que oferece os serviços pelo Instagram, fez ao menos cinco vítimas no DF e em outros estados. Os golpes ultrapassam R$ 200 mil

Sarah Peres
postado em 16/07/2020 12:30
Cigana Milena oferece os serviços pelo perfil no InstagramPelo menos cinco mulheres denunciaram o ;golpe de benzimento de dinheiro; realizado pela Cigana Milena, que se autointitula como adepta de religiões de matriz afrobrasileira e espiritualista. Os casos devem ser investigados pela Polícia Civil de São Paulo (PCSP), pois as contas bancárias usadas pela suspeita para receber o dinheiro das vítimas são da capital do estado. Em entrevista ao Correio, Rafael Moreira, presidente da Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno afirma que trabalhos espirituais não devem ser realizados em consultórios e sem confirmar a seriedade do sacerdote.

O caso veio à tona na tarde de quarta-feira (14/7), após a reportagem conversar com uma das vítimas da acusada, uma lojista do Distrito Federal, que perdeu R$ 82 mil. A mulher procurou a 3; Delegacia de Polícia (Cruzeiro) para registrar o boletim de ocorrência, e está em contato com agentes de São Paulo. Duas semanas após transferir as quantias para uma agência bancária da Lapa, no estado do Sudeste, foi possível recuperar apenas R$ 1,5 mil do montante enviado para a Cigana Milena.
Cigana Milena

As demais vítimas da Cigana Milena são residentes de São Paulo, Rio Grande do Sul, Tocantins e Maranhão. Os valores transferidos para a suspeita ultrapassam R$ 200 mil. Parte das mulheres contrataram advogados para acompanhar as investigações e buscar uma resposta junto à Polícia Civil. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e aguarda retorno. A acusada também foi procurada para comentar o caso, mas não obteve resposta.


Compromisso com a espiritualidade

Em entrevista ao Correio, o presidente da Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno esclareceu que é preciso ter cuidado com pessoas que oferecem trabalhos espirituais pela internet. ;Para ser um sacerdote ou sacerdotisa, não basta se autointitular. São anos de preparação para se tornar um pai ou mãe de Santo, não é algo que ocorre do dia para a noite;, frisa Rafael Moreira.

Ainda, o representante afirma que ;consultorio espiritual" não é terreiro de Umbanda e Candomblé. "Nossos sacerdotes e sacerdotisas, que são pais e mães de santo, têm casas, o ilê, os conhecidos terreiros. Por isso, pedimos a quem procura um atendimento espiritual que busque a Federação, que indicaremos terreiros que têm o verdadeiro compromisso com o espiritual. É muito prático alugar uma sala no Setor Comercial Sul, por exemplo, fechar e mudar de novo, após realizar os golpes. O terreiro, não. Eles ficam ali no terreno, onde são plantados os axés e é feito toda a sua firmeza, tanto de Orixá, quanto de entidades da Umbanda;. explica Rafael.
Ele também destaca que a Federação de Brasília e Entorno está à disposição das vítimas de estelionato. ;Nós repudiamos os atos da Cigana Milena, que tirou dinheiro dessas mulheres afirmando que faria o benzimento dos valores. Nós não concordamos com essa prática. Isso não é religião. Ela se diz ser de religião afro brasileira, de matriz africana, mas mãe e pai de Santo não atua dessa forma. Essa mulher não é sacerdotisa, é uma pessoa que se utiliza da boa fé de terceiros para conseguir dinheiro;, lamenta.
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