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Correio Braziliense

Professores aguardam temas de meio ambiente no Enem

Em live, Paulo Ferrari, Alessandro Reis e Juliana Gaspar, do Sigma, debateram a prova e resolveram questões de física, química e biologia


postado em 09/09/2019 17:49 / atualizado em 09/09/2019 18:58

A segunda live do Especial Enem do Correio, ocorrida na tarde desta segunda-feira (9), foi dedicada às ciências da natureza. A área de conhecimento, que envolve física, química e biologia, foi debatida pelos professores Paulo Ferrari (física), Alessandro Reis (biologia) e Juliana Gaspar (química), do Centro Educacional Sigma. Eles responderam ao banco de questões desta edição (clique aqui e confira) e deram dicas valiosas para os candidatos. No bate-papo, eles ressaltaram a expectativa de que os conteúdos em ecologia, tema de debate atualíssimo e tão caro às edições anteriores do exame, não deixem a prova. Além disso, ressaltaram a necessidade de estudar o conteúdo de modo igualitário e interdisciplinar.
 
 
Os professores garantem que as 45 questões de ciências da natureza costumam surgir em proporções iguais na prova, sem que uma das três disciplinas sobressaia-se sobre as demais. Não vale estudar somente a sua preferida e esquecer as outras, portanto. “Os eixos são bem divididos: 15 questões para cada matéria. Normalmente, o aluno que se prepara de maneira homogênea cresce igualmente nos conteúdos, pois eles requerem essa capacidade adaptativa. Esse é o grande desafio das questões mais difíceis da prova”, afirma Paulo Ferrari. “É a área de conhecimento mais difícil do Enem e, especialmente em cursos de alta demanda, não dá para escolher qual matéria estudar mais”, acrescenta Juliana Gaspar.

Enem sob nova direção

As trocas de comando no governo e a posição do Inep sobre o que considera “prova sem ideologia”, outros temas desta edição do Especial Enem, também foram debatidas pelos professores. Alessandro Reis lamenta a instabilidade dos órgãos responsáveis pelo exame e espera postura responsável em termos científicos e pedagógicos. “Neste ano, já tivemos quatro diretores do Inep e pessoas públicas falando em avaliar a prova e vetar questões. Este governo voltou atrás nesse aspecto”, critica.

Especialmente em relação à ecologia, ele vê a necessidade de não fugir da ciência que envolve os incêndios recentes na Amazônia. “O país é alvo de críticas internacionais sobre a gestão ambiental. Espero que não haja interferência, nem que a prova se esquive de falar do tema. O aluno precisa de visão crítica do que está ocorrendo”, diz Alessandro Reis.

Professores do Sigma: foco em todas as disciplinas, sem distinção nem preferências(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Professores do Sigma: foco em todas as disciplinas, sem distinção nem preferências (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Paulo Ferrari observou que, ao contrário do que se pensa, a prova não exige posicionamento do candidato sobre os temas polêmicos, mas a demonstração de que ele entende a ciência que há por trás deles. “Via de regra, as questões não requerem o posicionamento sobre os dados, mas o embasamento científico de como eles são postos”, afirma. “Dados não são a minha opinião ou da escola, mas o que de fato é ciência. Ciência se contradiz com ciência, com metodologia científica. Se tenho dados científicos, me ancoro neles”, pontua Alessandro Reis.

Interdisciplinaridade

É em ciências da natureza que surgem mais questões interdisciplinares, cuja resolução envolve entendimento transversal do conteúdo. O candidato começa em, digamos, biologia, mas percebe que chegou à resposta por meio da física, química ou até geografia. 
 
“Em física, você vê temas de outros conteúdos e os aborda do ponto de vista da disciplina”, diz Paulo Ferrari. “O aluno deve estar confortável em pegar os pontos de vista teóricos que ele já tem e aplicar em contextos que ele não esperava”, afirma.
 
“Desse modo, o estudante vai pegar um objeto tradicional da biologia, como a percepção da visão ou audição, e vê-lo do ponto de vista físico. Também já houve item sobre peixe elétrico. Neste caso, você espera biologia, mas a cobrança é em potência elétrica”, exemplifica Paulo Ferrari. “O exame pede um bom generalista, hábil na resolução de problemas usando das mais diversas ferramentas”, acrescenta Alessandro Reis.
 
“Outras disciplinas também estão envolvidas. Em biologia, há muito elo com geografia, sobretudo quando se fala de ecologia”, afirma Reis.

Questões ambientais na mídia

Em matéria desta segunda-feira (9), alunos confessam: química é mesmo a matéria mais complicada em ciências da natureza. A professora Juliana Gaspar não nega: sem solidez de conhecimento, não dá para ir adiante na disciplina. “Em química, a prova tem vindo muito conteudista. O aluno precisa da base para ter um bom desempenho, algo que venho falando muito para os alunos”, diz. 

“Sempre tem assuntos relacionados a problemas ambientais, como chuva ácida e aquecimento, que estão bem presentes no nosso dia a dia”, esclarece. Além disso, temas relacionados ao noticiário recente ou até mesmo às séries podem influenciar no conteúdo, acredita ela. “Hoje temos o sucesso da série Chernobyl. Ela não retrata só o contexto histórico, mas as questões da química sobre como funcionam os reatores”, diz. 

Os professores lembrara ainda de tragédias como os incêndios na Boate Kiss, em 2013, e no Centro de Treinamento do Flamengo, neste ano. “O assunto de liberação de gases, e seu impacto no organismo, são bem presentes”, observa. “Isso é pano de fundo recorrente e perfeito para as três disciplinas”, acrescenta Alessandro Reis. 

Amanhã tem mais live

O conteúdo do Especial Enem não para. Nesta terça-feira (10), às 15h, o professor de matemática Paulo Luiz, do Sigma, resolve questões de anos anteriores do exame. Na semana passada, ele esteve presente a uma live, na qual respondeu ao banco de questões do suplemento. Acesse o Facebook do Correio, assista e participe!
 


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