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Correio Braziliense

'Não sou tão mau assim. A esquerda nos dividiu', diz Bolsonaro à emissora

Jair Bolsonaro alegou recomendações médicas para se ausentar do debate. Na entrevista, o capitão reformado precisou de duas pausas


postado em 04/10/2018 23:04 / atualizado em 04/10/2018 23:24

Ausente do debate presidencial promovido pela TV Globo alegando recomendações médicas, o candidato pelo PSL, Jair Bolsonaro, concedeu entrevista à TV Record nesta quinta-feira (4/10). A gravação foi transmitida às 22h, no mesmo horário do sétimo e último debate do primeiro turno entre os presidenciáveis. O candidato apresentou um perfil mais conciliador.

Durante a entrevista, Bolsonaro afirmou que o estado de saúde melhorou, mas por "determinação" médica não pôde comparecer ao debate. A entrevista teve duas pausas, após pedidos do enfermeiro que seguia as recomendações médicas. O presidenciável disse que "nasceu de novo", após ser vítima de um atentado a faca, em Juiz de Fora (MG), após a atuação dos médicos da Santa Casa e do Albert Einstein de São Paulo.
 
A Justiça Federal acolheu nesta quinta-feira  a denúncia do Ministério Público Federal contra Adélio Bispo de Oliveira, autor confesso do ataque contra Bolsonaro, por atentado pessoal por inconformismo político. O crime está previsto no artigo 20 da Lei de Segurança Nacional. 

Mostrando fragilidade na fala, o presidenciável, líder nas pesquisas, enfatizou que pretende "unir o povo brasileiro" e disse que "sempre" pregou a união de todos. No entanto, o candidato acusou os grupos e partidos da esquerda de promover o ódio e de dividir a população. Para o candidato, o PT, nos 13 anos de governo, estimulou essa divisão de classes. "Eu sou acusado de alimentar o ódio e quem leva a facada sou eu", declarou.

Questionado pelo jornalista sobre Fake News – informações falsas espalhadas de maneira intencional –, o deputado federal informou que sua campanha tem alimentado as redes sociais com verdades. Ele explicou que possui milhões de seguidores e que não consegue controlar quando "um ou outro acaba estrapolando". "Nós não pregamos fake news. Entrem em nossas redes sociais, não existe fake news ou mentiras", garantiu o presidenciável.

Jair Bolsonaro também buscou esclarecer a proposta de reforma tributária do economista Paulo Guedes, que afirmou pretender unificar a alíquota de imposto de renda em 20%. O candidato ressaltou que houve um problema de entendimento e acusou os adversários de explorarem de forma errônea a proposta. "Quem ganha até R$ 5 mil não vai pagar imposto de renda, depois disso é que a alíquota será única de 20%. Porém, as alíquotas para a classe empresarial também vão diminuir", garantiu.

Sobre as investigações da Polícia Federal que apura o ataque em Juiz de Fora, o capitão reformado disse que não pretende "precipitar”"a apuração e nem culpar um grupo ideológico ou partido pelo ataque, mas questionou, inicialmente, o delegado da operação. "O processo está sendo conduzido por um delegado que foi por dois anos um homem de confiança de fernando pimentel", acusou. 
 
O candidato disse, ainda, que uma vitória do PT nas eleições deste ano será "o fim da nossa pátria" e a volta da corrupção ao Palácio do Planalto. Mas disse que, se derrotado, vai respeitar o resultado das eleições. 

"Não podemos deixar que um partido que mergulhou o país na mais profunda crise ética, moral e econômica, volte ao poder com as mesmas personalidades. E você pode ver, tudo é conduzido de dentro da cadeia pelo senhor Lula, que indica aí um fantoche seu chamado Haddad, que por incompetência sequer conseguiu passar para o segundo turno na sua eleições em São Paulo", esbravejou, referindo-se às eleições de 2016, quando Haddad foi derrotado na tentativa de se reeleger prefeito da capital paulista, votado por 16,9% dos eleitores. 
 
Bolsonaro disse não acreditar em uma vitória no primeiro turno das eleições, mas que estará na segunda etapa contra Fernando Haddad. 

Questionado sobre as acusações de homofobia, racismo e machismo, Bolsonaro afirmou que esses rótulos são inverídicos e usados por seus adversários porque não podem acusá-lo de atos de corrupção. Ele ainda comentou o movimento #EleNão, que reuniu milhares de pessoas nas ruas no final de semana, em sua maioria mulheres. 

Para ele, o ato contrário à sua candidatura trouxe um efeito contrário – ele apresentou crescimento nas pesquisas de intenção de voto nesta semana – porque os eleitores estão vendo quem ele realmente é. 

"Será que sou tão mau assim? Que eu quero o mal de mulheres, dos negros, dos gays? Não é verdade. Sempre preguei a união de todos nós. Não sou tão mau assim. A esquerda nos dividiu e ficamos brigando entre nós", disse.  
 
Bolsonaro afirmou ainda que o ato foi conduzido por artistas que vêm “mamando na Lei Rouanet”. “A lei é importante para o artista raiz, sertanejo, que traz a cultura brasileira”.
 
De acordo com o presidenciável, a sua bandeira é, ao contrário do que dizem dele, unir o país, defender a família e combater a violência. “Proponho unir o povo brasileiro, enquanto a esquerda sempre tentou nos desunir”, afirmou. 
 
Ele completou que a esquerda tentou colocar negros contra brancos, ricos contra pobres e filhos contra pais – referindo-se à Lei da Palmada. “O Estado usurpa o poder para punir pais que proventura dão um tapa no bumbum para educar seu filho”, reclamou. 

Capitão reformado do Exército, Bolsonaro disse que, se eleito, será "um soldado a serviço do Brasil" e que sua equipe de ministros será escolhida sem qualquer tipo de interferência política.   

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