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Correio Braziliense

Bolsonaro lamenta, mas culpa comunismo por mortes durante a ditadura

O capitão reformado lamentou todas as mortes que tiveram 'dos dois lados', mas avaliou que nenhuma teria ocorrido se 'não tivesse aquela vontade de implantar o comunismo no Brasil'


postado em 02/08/2019 10:35 / atualizado em 02/08/2019 10:51

"O que falei demais? Me responda. O que tive conhecimento na época", disse o presidente nesta sexta-feira, na saída do Palácio da Alvorada (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
O presidente Jair Bolsonaro sinalizou que vai formalizar ao Supremo Tribunal Federal (STF) os esclarecimentos sobre a ação protocolada por ex-presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que pedem explicações do chefe do Executivo federal sobre declarações ditas na segunda-feira (29/7) sobre o advogado Fernando Santa Cruz, vítima de crime contra a humanidade durante a ditadura militar e pai do atual presidente da Ordem, Felipe Santa Cruz.

O capitão reformado lamentou todas as mortes que tiveram “dos dois lados”, mas avaliou que nenhuma teria ocorrido se “não tivesse aquela vontade de implantar o comunismo no Brasil”. Para ele, as pessoas deveriam ter “aceitado a normalidade que acontecia”. 

A formalização de esclarecimentos não foi confirmada assertivamente por Bolsonaro. Questionado pela imprensa, nesta sexta-feira (2/8), na saída do Palácio da Alvorada, disse que o relator da interpelação no STF, ministro Luís Roberto Barroso, manifestou que ele não tem a obrigação. “O próprio ministro (disse que) não tenho essa obrigação. É só transcrever o que falei pra vocês. O que falei demais? Me responda. O que tive conhecimento na época… eu ofendi o pai dele (Santa Cruz)? O que eu tive conhecimento na época o assunto foi esse”, destacou. 

Questionado novamente se prestaria esclarecimentos, Bolsonaro foi mais objetivo. “Mesmo eu não sendo obrigado, eu presto (explicações), não tem nada demais. Vou entregar o vídeo, fazer a degravação e mandar”, afirmou. A ideia, segundo ele, é transcrever em texto as respostas ditas por ele na segunda-feira, à imprensa, e, depois, em “live” feita em uma rede social, na tarde do mesmo dia.

Ao comentar o assunto, Bolsonaro disse que, nessa quinta-feira (1º/8), se encontrou com o filho do jornalista Edson Régis de Carvalho, morto em julho de 1966. O comunicador era secretário do governo de Pernambuco e faleceu vítima da explosão de uma bomba, no saguão do Aeroporto Internacional do Recife. O caso ficou conhecido como Atentado do Aeroporto dos Guararapes. Nenhum grupo reivindicou a autoria à época. 

Comunismo


Décadas depois, nos anos 1980, membros da Ação Popular, um dos principais grupos contrários à ditadura -- do qual Fernando Santa Cruz era integrante --, informou que o atentado foi uma ação isolada de um membro. A ação criminosa visava a morte do general Arthur da Costa e Silva, então ministro do Exér­cito e candidato à sucessão presidencial. Foi um dos presidentes durante o regime militar. 

O presidente da República disse que o filho de Régis, que não teve o nome revelado, negou o pedido de um vídeo. “Eu o recebi, não gravei vídeo com ele. Estava exaltado e queria gravar vídeo comigo”, justificou. Bolsonaro disse que, na época, Fernando Santa Cruz tinha 14 anos (na verdade, ele tinha 18 anos) e citou que, segundo publicação em uma revista Veja, dizendo que, “em especial no Rio de Janeiro”, se “arrebanhava a garotada com 14 anos nas escolas”. 

A declaração de Bolsonaro, embora não tenha mencionado o nome, faz referência ao núcleo da Ação Popular no Rio de Janeiro, onde Fernando Santa Cruz desapareceu. “É uma verdade, a verdade dói, machuca, tá certo. Agora, lamento todas as mortes que tiveram dos dois lados. Se não tivesse aquela vontade de implantar o comunismo no Brasil, não teria acontecido nada disso. Se tivessem aceitado a normalidade que acontecia, nada teria (acontecido)”, avaliou. 

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