A Tyson Foods, uma das maiores processadoras de carne do mundo, teve um período de investimentos estratégicos em uma tecnologia que prometia redesenhar a indústria de alimentos: a carne cultivada em laboratório. Entre 2016 e 2019, a gigante americana direcionou recursos para startups e pesquisas que desenvolviam proteínas a partir de células animais, sem a necessidade de abate.
Essa movimentação na época indicava uma tentativa de adaptação às novas demandas dos consumidores, que buscavam opções mais sustentáveis e com menor impacto ambiental. A produção de carne cultivada utiliza menos água, terra e emite menos gases de efeito estufa em comparação com a pecuária tradicional, segundo dados de instituições como a Good Food Institute.
Além da carne de laboratório, a Tyson Foods também explorou proteínas à base de plantas. A empresa chegou a ter uma participação de 5% na Beyond Meat, mas vendeu suas ações em 2019, pouco antes do IPO da startup. Naquele período, o objetivo da Tyson era se posicionar como uma “empresa de proteína”, o que a levou a desenvolver sua própria linha de produtos alternativos.
Como funciona a carne cultivada?
A produção de carne de laboratório, também conhecida como carne celular, é um processo de alta tecnologia. Tudo começa com a coleta de uma pequena amostra de células de um animal, como uma vaca ou um frango, de forma indolor. Essas células são então colocadas em um ambiente controlado chamado biorreator.
Dentro do biorreator, as células recebem um banho de nutrientes, como vitaminas, açúcares e aminoácidos, que imita o que elas receberiam no corpo do animal. Com as condições ideais de temperatura e oxigênio, elas se multiplicam e se diferenciam para formar tecido muscular, que é a base da carne que consumimos.
O resultado é um produto que, em nível molecular, é idêntico à carne convencional. A grande diferença está no método de produção, que elimina a necessidade de criar e abater milhões de animais, além de reduzir drasticamente os riscos de contaminação por patógenos como Salmonella e E. coli.
Apesar do entusiasmo inicial, o cenário mudou. Em 2026, a Tyson Foods reorientou sua estratégia, focando na otimização de suas operações tradicionais e enfrentando desafios em seus principais segmentos, como o de carne bovina. A aposta em proteínas alternativas ficou em segundo plano, e o investimento de grandes players como a Tyson, que se esperava acelerar a tecnologia, foi revisto, mostrando que o caminho para a carne cultivada ainda enfrenta barreiras significativas de custo e escala.










