Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revelam um aumento preocupante no número de queimadas no Brasil no primeiro trimestre de 2026. Somente em janeiro, foram registrados 4.347 focos de incêndio, um crescimento de 46% em relação ao mesmo período de 2025. O cenário reverte a tendência de queda observada no ano anterior, quando o país teve uma redução de 39% na área queimada. Os satélites mostram que o fogo atinge com mais força os biomas da Amazônia, Cerrado e Pantanal, em um quadro agravado pela forte estiagem.
A combinação de baixa umidade do ar, vegetação seca e ventos fortes cria as condições ideais para que pequenos focos de incêndio se espalhem rapidamente. Embora alguns incêndios possam ter origem natural, a maioria está associada a atividades humanas, como a limpeza de terrenos para agricultura e pecuária ou o descarte inadequado de lixo.
O monitoramento contínuo, que pode ser acompanhado por plataformas públicas do INPE, permite a criação de mapas de calor que indicam as áreas mais críticas. Essas informações são essenciais para direcionar os esforços de combate das brigadas de incêndio e para a formulação de políticas públicas de prevenção.
Cenário crítico nos principais biomas
Na Amazônia, o fogo frequentemente está ligado ao processo de desmatamento, onde as áreas derrubadas são queimadas para “limpar” o terreno. A fumaça gerada por essas queimadas impacta a qualidade do ar em vastas regiões, afetando a saúde de milhões de pessoas e o regime de chuvas local.
No Cerrado, o período de seca, que atinge seu pico entre agosto e setembro, torna a vegetação extremamente inflamável. O bioma, conhecido como a savana brasileira, sofre com incêndios que destroem a biodiversidade e comprometem as nascentes de importantes bacias hidrográficas do país.
O Pantanal vive uma situação particularmente delicada. A maior planície alagável do mundo enfrenta uma seca severa, que deixou extensas áreas vulneráveis ao fogo. O aumento dos focos de incêndio no início do ano acende um alerta para o bioma, ameaçando espécies de animais e plantas que são símbolo da região.
As consequências das queimadas vão além da perda de vegetação. Elas causam a morte de animais silvestres, empobrecem o solo e contribuem para a emissão de gases de efeito estufa, intensificando as mudanças climáticas.









