Notícias sobre grandes tremores no mundo costumam gerar uma dúvida comum: o Brasil pode ser atingido por um terremoto de grande magnitude? A resposta, baseada na geologia, é que essa possibilidade é extremamente baixa. Embora pequenos abalos sísmicos sejam registrados com certa frequência em nosso território, a localização geográfica do país oferece uma proteção natural contra eventos catastróficos.
O Brasil está situado no centro da Placa Tectônica Sul-Americana, um imenso bloco de rocha que compõe a crosta terrestre. Os terremotos mais intensos e destrutivos do planeta ocorrem justamente nas bordas dessas placas, onde elas se chocam, se afastam ou deslizam umas contra as outras. É o caso de países como Chile e Japão, localizados em zonas de grande instabilidade sísmica.
Por estar longe dessas áreas de atrito, o Brasil não vivencia a liberação de energia massiva que causa grandes desastres. A nossa estabilidade geológica é um privilégio em comparação com nações que precisam conviver com o risco constante de abalos severos.
Então, por que a terra treme no Brasil?
Apesar da segurança, o país não está totalmente livre de tremores. Os abalos que ocorrem aqui são chamados de “intraplaca”. Eles acontecem porque as pressões geradas nas bordas da placa tectônica viajam por milhares de quilômetros e podem reativar antigas falhas geológicas, que são como cicatrizes na crosta terrestre.
Quando a energia acumulada nessas falhas é liberada, ocorrem os tremores. No entanto, a energia é muito menor do que a liberada nas bordas das placas. Por isso, os sismos brasileiros costumam ter baixa a moderada magnitude. A maioria deles sequer é sentida pela população e só é detectada por equipamentos especializados, os sismógrafos.
Até recentemente, o maior terremoto já registrado em solo brasileiro havia ocorrido em 1955, no Mato Grosso, com magnitude 6,2, em uma região de baixa densidade populacional. No entanto, em janeiro de 2024, um tremor de 6,6 graus na região do Acre se tornou o maior da história do país. Antes dele, em junho de 2022, outro sismo de 6,5 graus já havia sido registrado na mesma área. Apesar das altas magnitudes, esses tremores mais recentes são diferentes: eles ocorrem a mais de 600 km de profundidade e estão ligados à subducção da Placa de Nazca sob a Placa Sul-Americana, um fenômeno andino. Por serem tão profundos, a energia se dissipa antes de chegar à superfície, não causando danos.








