Com as fortes chuvas e o risco de enchentes em várias regiões do país, cresce a preocupação com doenças transmitidas por roedores, como a hantavirose e a leptospirose. Ambas são graves e apresentam sintomas iniciais muito parecidos, como febre alta, dor de cabeça e dores musculares. Essa semelhança pode confundir o diagnóstico, mas entender as diferenças entre elas é fundamental para buscar o tratamento correto.
A principal distinção está na forma como as doenças são transmitidas. A leptospirose é causada por uma bactéria presente na urina de ratos urbanos (ratazanas, camundongos e ratos de telhado). A transmissão ocorre quando a pele com ferimentos ou as mucosas entram em contato com água, lama ou solo contaminados, sendo mais comum durante enchentes.
Já a hantavirose é provocada por um vírus, o hantavírus, presente nas fezes, urina e saliva de roedores silvestres – diferentemente da leptospirose, que é transmitida por ratos urbanos. O contágio acontece principalmente pela inalação de poeira contaminada em ambientes fechados, como galpões, celeiros ou casas abandonadas. O simples ato de varrer um local contaminado sem proteção pode levantar o vírus no ar.
A evolução dos sintomas
A fase inicial das duas doenças é semelhante, mas a progressão dos sintomas revela as diferenças. A leptospirose pode evoluir para uma fase grave, conhecida como doença de Weil, caracterizada por icterícia (pele e olhos amarelados), insuficiência renal e hemorragias.
O hantavírus, por outro lado, ataca principalmente os pulmões. Após os primeiros dias de febre, o quadro evolui para a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, uma condição rara, mas com alta taxa de letalidade. Os sintomas incluem tosse seca, dificuldade para respirar, queda de pressão e acúmulo de líquido nos pulmões, podendo levar à insuficiência respiratória rapidamente.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico correto é crucial e deve ser feito por um médico. Enquanto a leptospirose pode ser tratada com antibióticos, não há um tratamento específico para a hantavirose. Nesses casos, o paciente recebe cuidados intensivos em ambiente hospitalar para dar suporte às funções vitais, principalmente a respiratória e a cardíaca.
Como se proteger
As medidas de prevenção também variam. Para evitar a leptospirose, a principal orientação é evitar o contato com água ou lama de enchentes. Caso seja inevitável, é essencial usar botas e luvas de borracha para proteger a pele. Além disso, a limpeza de caixas d’água e o descarte correto do lixo são importantes.
No caso da hantavirose, a prevenção foca em evitar a exposição à poeira de locais que possam abrigar roedores silvestres. Recomenda-se umedecer o chão antes de limpar ambientes fechados há muito tempo, usar máscara de proteção e luvas, e manter os alimentos sempre bem armazenados em recipientes fechados para não atrair os animais.










