A ideia de um trem-bala ligando Rio de Janeiro e São Paulo, um projeto debatido por décadas, voltou a avançar após a empresa TAV Brasil obter autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em fevereiro de 2023, para dar andamento aos estudos e à construção da linha. A promessa é reduzir o tempo de viagem entre as duas maiores cidades do país para aproximadamente 1 hora e 45 minutos (105 minutos).
Diferente das tentativas anteriores, que dependiam de leilões e grande participação estatal, o modelo atual se baseia no Marco Legal das Ferrovias, de 2021. A legislação permite que empresas privadas proponham e construam novas linhas por meio de um regime de autorização, assumindo todos os riscos e custos do empreendimento, cujo contrato de exploração é de 99 anos.
O investimento previsto é de R$ 60 bilhões, a ser captado totalmente pela iniciativa privada. O trem de alta velocidade (TAV) deve operar com velocidades de até 320 km/h, podendo atingir 350 km/h, oferecendo uma alternativa competitiva à ponte aérea e às viagens pela Rodovia Presidente Dutra.
Como seria o trajeto?
O traçado planejado conecta as duas capitais com pontos de partida e chegada em Água Branca (São Paulo) e Leopoldina (Rio de Janeiro). O percurso inclui paradas estratégicas em sete cidades intermediárias para atender a importantes polos econômicos: Guarulhos, Jacareí, São José dos Campos, Taubaté, Aparecida, Resende e a região de Volta Redonda/Barra Mansa.
Quais os próximos passos?
Apesar da autorização, o projeto ainda enfrenta obstáculos significativos. O principal deles é a captação do vultoso investimento necessário para tirar a ideia do papel, com a empresa responsável buscando parceiros nos mercados nacional e internacional. Outros desafios incluem a obtenção de todas as licenças ambientais e a negociação para desapropriação de áreas ao longo do trajeto.
O cronograma atual prevê que os estudos técnicos sejam concluídos até o final de 2026, com o início das obras em 2027 e o começo da operação em 2032. Se sair do papel, o trem-bala poderá transformar a logística e o turismo na região Sudeste.







