Enquanto o Brasil debate o modelo de trabalho 6×1, a discussão sobre a redução da jornada já é uma realidade em vários países. A busca por mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal impulsionou testes e até a adoção de uma semana de trabalho de 4 dias, com resultados que chamam a atenção.
Diferentes nações exploram modelos que condensam a carga horária ou simplesmente a reduzem, geralmente mantendo 100% do salário. A ideia central é que funcionários mais descansados e satisfeitos se tornam mais produtivos, compensando o dia livre com maior foco e eficiência.
Onde a semana de 4 dias já funciona?
O Reino Unido realizou o maior teste global do modelo até hoje. Conduzido em 2022 com 61 empresas, o programa piloto revelou que a produtividade foi mantida ou até melhorou. As companhias registraram uma queda de 65% nos dias de licença médica e uma redução de 57% na rotatividade de funcionários. A grande maioria das empresas participantes optou por manter a jornada reduzida permanentemente.
A Islândia foi uma das pioneiras. Entre 2015 e 2019, o país testou a semana de 35 a 36 horas sem corte salarial no setor público. O sucesso do experimento levou sindicatos a renegociarem os padrões de trabalho, e hoje quase 90% da força de trabalho islandesa tem direito a uma jornada reduzida.
Na Bélgica, a abordagem é diferente. Desde 2022, os trabalhadores têm o direito de escolher cumprir sua carga horária semanal completa em quatro dias em vez de cinco. A medida oferece mais flexibilidade, embora não represente uma redução no total de horas trabalhadas.
Outros países também estão entrando na onda. A Espanha iniciou um projeto piloto voluntário em 2023, financiado pelo governo, para ajudar pequenas e médias empresas a testarem a semana de 32 horas. Portugal lançou um programa semelhante no mesmo ano, com a participação de dezenas de empresas, sem custos para elas ou corte nos salários dos trabalhadores.
Essas iniciativas globais mostram que a revisão dos modelos de trabalho é uma tendência forte. Os resultados indicam benefícios claros para a saúde mental dos funcionários e para a retenção de talentos nas empresas, alimentando o debate sobre o futuro do trabalho em todo o mundo, inclusive no Brasil.









