Enquanto o debate sobre o fim da escala 6×1 avança no Brasil, um outro modelo de trabalho ganha força e atrai a atenção de empresas e funcionários: a jornada de 4 dias por semana. A proposta, que já é testada em diversos países, consiste em reduzir o tempo de trabalho sem diminuir o salário, prometendo mais produtividade e qualidade de vida.
A ideia não é um sonho distante. O Brasil, inclusive, foi o primeiro país da América do Sul a testar o modelo em um projeto piloto realizado no primeiro semestre de 2024. Após a conclusão dos testes, a maioria das empresas participantes decidiu manter ou adaptar a jornada reduzida de forma permanente. Com um dia extra de folga, a expectativa é que os colaboradores voltem mais descansados e motivados.
Como funciona a semana de 4 dias?
O modelo mais conhecido é o “100-80-100”, que se baseia em três pilares: 100% do salário, 80% do tempo de trabalho e o compromisso de manter 100% da produtividade. Na prática, a carga horária semanal é reduzida, geralmente de 40 para 32 horas, sem que isso afete a remuneração do funcionário.
É importante destacar que a proposta não se trata de comprimir as horas de cinco dias em quatro, o que levaria a jornadas diárias exaustivas. O objetivo é uma redução real do tempo trabalhado, incentivando uma cultura de eficiência, com menos reuniões desnecessárias e mais foco nas tarefas que realmente importam.
Quais os resultados práticos?
Os resultados de testes realizados globalmente e no Brasil têm sido positivos. No projeto piloto brasileiro, conduzido pela organização 4 Day Week Global com 19 empresas entre janeiro e junho de 2024, as companhias que adotaram o modelo relataram uma série de benefícios, tanto para o negócio quanto para as equipes.
- Aumento da produtividade: equipes mais focadas e eficientes conseguiram manter ou até superar as metas de produção em menos tempo.
- Melhora na saúde mental: a redução da jornada de trabalho levou a uma queda significativa nos níveis de estresse e burnout entre os funcionários.
- Alta satisfação dos colaboradores: a pesquisa pós-teste mostrou que 97% dos funcionários gostariam de continuar com a jornada reduzida.
- Retenção de talentos: a semana de quatro dias se tornou um forte atrativo para atrair e manter profissionais qualificados, diminuindo a rotatividade.
- Resultados financeiros positivos: Cerca de 72% das empresas registraram aumento na receita durante o período de teste, além de algumas terem observado economia em despesas operacionais.
O que a CLT diz sobre a jornada de 4 dias?
A legislação trabalhista brasileira não impede a adoção da semana de quatro dias. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece um limite máximo de 44 horas semanais e 8 horas diárias, mas não fixa um piso mínimo de horas para uma jornada considerada integral.
Dessa forma, uma empresa pode reduzir a carga horária de seus funcionários por meio de um acordo individual ou coletivo. A única exigência legal é que não haja redução proporcional do salário. Para garantir a segurança jurídica, contudo, é comum que as organizações busquem assessoria especializada e firmem acordos com os sindicatos antes de formalizar a mudança no contrato de trabalho.








