Relatos de gatos que mudam de comportamento pouco antes de seus donos receberem um diagnóstico médico são mais comuns do que se imagina. Essa capacidade, no entanto, não é um poder sobrenatural ou um sexto sentido. A ciência explica que a chave para esse fenômeno está em uma das habilidades mais extraordinárias dos felinos: o olfato.
Gatos possuem um olfato cerca de 14 vezes mais potente que o dos humanos. Eles contam com entre 50 e 200 milhões de receptores olfativos no nariz (dependendo da fonte), um número muito superior aos 5 milhões que nós temos. Essa sensibilidade aguçada, que também é auxiliada pelo órgão de Jacobson (ou órgão vomeronasal) no céu da boca, permite que eles detectem mudanças químicas sutis no ambiente e até mesmo no corpo de uma pessoa.
O que os gatos realmente sentem?
Quando uma pessoa desenvolve certas doenças, como alguns tipos de câncer ou diabetes descontrolada, seu corpo passa a produzir e liberar substâncias químicas específicas, conhecidas como compostos orgânicos voláteis (COVs). Essas partículas são imperceptíveis para o nariz humano, mas não para o de um gato. É importante notar que, embora existam muitos relatos anedóticos sobre felinos, a maioria dos estudos científicos sobre a detecção de doenças por animais foca na capacidade dos cães.
O que o felino percebe é uma alteração no cheiro familiar de seu tutor. Essa mudança pode deixá-lo confuso ou ansioso. Ele não entende que está detectando uma doença, apenas reage a um odor diferente e desconhecido vindo de alguém que faz parte do seu círculo de confiança.
Essa reação pode se manifestar de várias formas. Alguns gatos podem se tornar mais apegados, buscando conforto ou tentando “cuidar” de seu dono. Outros podem ficar mais arredios, evitar o contato ou até mesmo miar insistentemente perto da pessoa, como se tentassem alertar para algo que está errado.
É importante destacar que não se trata de uma previsão consciente. O gato não está fazendo um diagnóstico. A mudança de comportamento é uma resposta instintiva a uma alteração sensorial. Portanto, embora existam evidências de que os animais podem farejar essas mudanças químicas, não há comprovação de que eles consigam prever sistematicamente o surgimento de enfermidades.
Observar uma alteração súbita no comportamento do seu pet é sempre um sinal de alerta. No entanto, é fundamental lembrar que essa mudança pode indicar, antes de tudo, um problema de saúde do próprio animal. Portanto, a qualquer sinal diferente, uma consulta veterinária é sempre recomendada para descartar possíveis doenças ou desconfortos no felino.










