Enquanto uma operação policial movimenta o Morro Dona Marta, na Zona Sul do Rio, nesta terça-feira, a comunidade revive memórias de um tempo bem diferente. Há 30 anos, em 1996, o mesmo local se transformava em um set de gravação para Michael Jackson, o Rei do Pop, que escolheu a favela para filmar o videoclipe de “They Don’t Care About Us”.
A escolha do local não foi por acaso. Dirigido pelo cineasta Spike Lee, o clipe tinha como objetivo denunciar a exclusão social e a violência, temas que encontravam um cenário real e potente nas vielas da comunidade carioca. A produção parou a cidade e atraiu a atenção da imprensa mundial.
Na época, a decisão gerou polêmica. Autoridades temiam que a exposição de uma favela pudesse prejudicar a imagem do Rio de Janeiro no exterior, que competia para sediar os Jogos Olímpicos de 2004. Apesar da resistência inicial, a gravação seguiu com um forte esquema de segurança e o apoio dos moradores.
Para os residentes do Dona Marta, a chegada de Michael Jackson representou um momento de orgulho e reconhecimento. O cantor interagiu com a população, distribuiu autógrafos e deixou uma impressão de simplicidade que marcou a memória de quem presenciou aqueles dias.
A gravação que mudou o Dona Marta
Para a gravação no Dona Marta, Michael Jackson contou com a participação do grupo Olodum, que também colaborou na versão gravada em Salvador, na Bahia. A batida percussiva dos tambores se misturou ao cenário colorido do Dona Marta, criando uma das obras mais icônicas da carreira do artista e da história da música pop.
O impacto do clipe foi imediato e duradouro. A comunidade ganhou visibilidade mundial e, em 2009, após a morte do artista, uma estátua de bronze do cantor foi inaugurada na laje onde uma das cenas mais famosas foi filmada. O local se tornou um ponto turístico, atraindo fãs de todas as partes do mundo.
O clipe transformou o Dona Marta em um símbolo cultural, mas a realidade dos moradores continua marcada por desafios sociais. A operação de hoje evidencia que as questões de desigualdade e segurança, cantadas por Jackson, ainda são pautas urgentes na cidade.
O vídeo se tornou um marco na cultura pop e um símbolo de resistência, deixando um legado que mistura orgulho, arte e a complexa realidade do Rio de Janeiro.









