O salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas no Brasil deveria ser de R$ 7.892,55. A conclusão é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em dados coletados em maio de 2026. Este valor representa 4,81 vezes o salário mínimo oficial, atualmente fixado em R$ 1.640.
O estudo, divulgado mensalmente, destaca a grande diferença entre o rendimento básico do trabalhador e o custo de vida real no país. A análise leva em conta o valor da Cesta Básica de Alimentos e o que a Constituição Federal determina como essencial para o bem-estar de uma família.
Como o Dieese calcula o salário mínimo ideal?
O cálculo do Dieese parte de uma determinação da Constituição. A lei estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência social. É um retrato do que seria necessário para viver com dignidade.
A metodologia usa como ponto de partida o custo da cesta básica mais cara entre as 17 capitais pesquisadas. Em maio, São Paulo novamente registrou o maior valor. Com base nesse custo para a alimentação, o Dieese projeta os gastos totais de uma família composta por dois adultos e duas crianças, chegando ao valor final do salário mínimo ideal.
A distância entre o valor apontado pelo estudo e o piso nacional vigente se deve aos diferentes critérios de reajuste. Enquanto o Dieese foca no custo de vida, o governo federal define o salário mínimo com base em uma política que considera a inflação do ano anterior e o crescimento da economia de dois anos antes.
O salário mínimo de R$ 1.640 está em vigor desde janeiro de 2026. A política de valorização do salário mínimo, que considera a inflação e o crescimento do PIB, foi retomada em 2023 e busca garantir ganhos reais ao trabalhador.
A análise do Dieese, no entanto, evidencia a dificuldade que muitas famílias brasileiras enfrentam para arcar com as despesas básicas mensais. O estudo serve como um termômetro da defasagem entre o poder de compra real do trabalhador e as necessidades previstas em lei.









