Tempestades com granizo forte, capazes de amassar carros e destruir telhados, são uma preocupação comum na Região Sul do Brasil, especialmente nas áreas do Oeste de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. O fenômeno, que assusta pelos danos e pela intensidade, não acontece por acaso. Ele é o resultado de uma combinação específica de fatores atmosféricos que encontram na região um cenário ideal para se desenvolverem, especialmente durante a primavera e o inverno.
A receita para a formação de granizo envolve três ingredientes principais: calor na superfície, grande quantidade de umidade no ar e uma atmosfera instável. A Região Sul do Brasil frequentemente reúne essas três condições, embora o fenômeno também ocorra no Centro-Oeste. O calor intenso faz com que o ar úmido próximo ao solo suba muito rapidamente, formando nuvens de grande desenvolvimento vertical, conhecidas como cumulonimbus, que podem atingir mais de 15 quilômetros de altura.
Dentro dessas nuvens gigantes, as correntes de ar ascendentes são extremamente fortes. Elas funcionam como um elevador, carregando gotículas de água para partes muito altas e frias da atmosfera, onde as temperaturas ficam bem abaixo de zero. É nesse ambiente gelado que o processo se inicia.
Como o gelo se forma dentro da nuvem?
O processo de criação do granizo é cíclico. As gotículas de água levadas para o topo da nuvem congelam e começam a cair. No caminho para baixo, elas encontram mais umidade e outras gotículas, que se aderem à sua superfície. Antes que possam sair da nuvem, as fortes correntes de ar as jogam para cima novamente.
A cada subida e descida, uma nova camada de gelo é adicionada, fazendo a pedra de granizo crescer em tamanho e peso, de forma parecida com as camadas de uma cebola. O ciclo se repete várias vezes até que a pedra de gelo fique tão pesada que a corrente de ar não consegue mais sustentá-la. Nesse momento, ela despenca em direção ao solo.
A intensidade das tempestades na Região Sul está diretamente ligada à força dessas correntes de ar. Quanto mais potentes os ventos ascendentes, mais tempo a pedra de gelo passa dentro da nuvem, maior ela fica e mais estragos pode causar ao atingir a superfície. O resultado são os danos vistos em lavouras, veículos e telhados.
A frequência desses eventos está associada a períodos de calor combinados com a chegada de frentes frias ou áreas de instabilidade, especialmente entre o inverno e a primavera. Os meses de setembro e outubro são particularmente críticos para a ocorrência de tempestades severas com granizo. Essas condições potencializam a subida do ar e a formação das nuvens de tempestade, explicando por que o fenômeno pode parecer mais comum em temporadas com temperaturas acima da média e maior umidade disponível na atmosfera.










