A paixão por um time de futebol pode, de fato, levar a um evento cardíaco grave. A combinação de estresse agudo, ansiedade e euforia durante os 90 minutos de uma partida decisiva cria um cenário de risco, especialmente para quem já possui problemas cardíacos. Estudos científicos documentam esse fenômeno: pesquisas da Universidade de São Paulo (USP) já apontaram um aumento nos casos de infarto durante jogos do Brasil, enquanto um estudo alemão de 2006 mostrou que as emergências cardíacas mais que dobraram nos dias de partidas da sua seleção durante a Copa do Mundo.
Durante momentos de grande tensão, o organismo libera hormônios como adrenalina e cortisol. Essa descarga hormonal provoca um aumento súbito da frequência cardíaca e da pressão arterial. O sangue também se torna mais propenso a coagular. Para uma pessoa com artérias já parcialmente obstruídas por placas de gordura, essa sobrecarga pode ser o estopim para um infarto.
O esforço exigido do coração nesse cenário é comparável ao de uma atividade física intensa. Se uma placa de gordura se rompe, um coágulo pode se formar rapidamente, bloqueando o fluxo de sangue para o músculo cardíaco e causando o infarto agudo do miocárdio. Por isso, o perigo é real e não apenas uma força de expressão.
Quem corre mais risco de infarto?
O grupo mais vulnerável é formado por pessoas com doenças cardiovasculares já diagnosticadas. Isso inclui indivíduos com hipertensão, colesterol alto, histórico de infarto ou que já passaram por procedimentos como angioplastia. Além deles, diabéticos, fumantes, obesos e sedentários também precisam de atenção redobrada, pois frequentemente têm problemas cardíacos silenciosos.
Muitas pessoas desconhecem que possuem uma condição cardíaca pré-existente. A emoção de um jogo pode ser o gatilho que revela o problema da forma mais perigosa. Portanto, a prevenção e o autoconhecimento são fundamentais para evitar uma tragédia.
Como assistir aos jogos com mais segurança
Para o torcedor que pertence a um grupo de risco, algumas medidas simples podem reduzir as chances de um problema. Acompanhar a partida em um ambiente tranquilo, ao lado de poucas pessoas, ajuda a controlar a ansiedade. É importante também evitar o consumo de bebidas alcoólicas, cigarros e refeições pesadas antes e durante o jogo.
Manter a medicação de uso contínuo em dia é essencial. Se o nervosismo aumentar muito, tente fazer pausas, caminhar um pouco e respirar fundo. Fique atento aos sinais de alerta do corpo, como dor no peito, falta de ar, suor frio e dor que irradia para o braço esquerdo ou para a mandíbula. Ao sentir qualquer um desses sintomas, procure ajuda médica imediatamente.










