A endometriose, condição que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), recebe cada vez mais atenção. Prova disso é o aumento de 30% nos atendimentos relacionados à doença no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2022 e 2024. Os avanços no diagnóstico e tratamento buscam oferecer mais qualidade de vida às pacientes, com abordagens personalizadas e eficazes.
Novos tratamentos contra a endometriose
Novas opções hormonais chegam ao SUS
Embora a busca por tratamentos não hormonais continue, os avanços mais concretos e recentes no Brasil se concentram na ampliação do acesso a terapias hormonais já consolidadas. A partir de 2025, o SUS passará a oferecer duas novas opções para o tratamento da endometriose: o dispositivo intrauterino (DIU) hormonal com levonorgestrel e o medicamento desogestrel.
Essas alternativas visam controlar o avanço da doença e aliviar os sintomas, como cólicas intensas e dor crônica, oferecendo mais possibilidades de tratamento para as pacientes na rede pública. O objetivo é proporcionar um manejo contínuo e de longo prazo, adaptado às necessidades de cada mulher.
Cirurgia mais precisa e menos invasiva
No campo cirúrgico, a tecnologia continua a evoluir para oferecer procedimentos mais eficazes. A cirurgia robótica, por exemplo, permite que os médicos removam os focos de endometriose com maior precisão. Com visualização 3D e instrumentos articulados, o procedimento se torna menos invasivo, o que pode resultar em menos dor no pós-operatório e um tempo de recuperação mais curto.
Além disso, técnicas de imagem aprimoradas auxiliam no mapeamento das lesões antes da cirurgia. Um planejamento detalhado aumenta as chances de uma remoção completa do tecido endometrial ectópico, diminuindo o risco de recorrência da doença e com foco na preservação da fertilidade e da função dos órgãos pélvicos.
Terapias complementares ganham espaço
O tratamento da endometriose está se tornando cada vez mais multidisciplinar. Reconhece-se que apenas medicamentos e cirurgias podem não ser suficientes para controlar todos os aspectos da doença. Por isso, abordagens complementares estão sendo integradas aos planos de tratamento convencionais.
Entre as opções que têm mostrado resultados positivos estão:
- Fisioterapia pélvica: ajuda a relaxar a musculatura da região, aliviando dores durante a relação sexual e ao evacuar.
- Nutrição funcional: uma dieta com foco anti-inflamatório pode reduzir a intensidade das cólicas e outros sintomas.
- Acupuntura: utilizada para o manejo da dor crônica, contribuindo para o bem-estar geral da paciente.
A tendência é a combinação de diferentes estratégias para criar um plano de tratamento personalizado. O objetivo é atuar tanto na redução das lesões quanto no alívio dos sintomas, garantindo mais controle sobre a doença e uma vida mais plena.









