A imagem do “pulmão de aço”, um cilindro de metal que ajudava pacientes a respirar, voltou a circular recentemente e trouxe de volta a memória de uma doença devastadora: a poliomielite. Embora o Brasil tenha erradicado a doença em 1994, a queda drástica na cobertura vacinal nos últimos anos acende um alerta vermelho para o risco de um surto de paralisia infantil no país.
A ameaça é real porque o poliovírus selvagem ainda circula de forma endêmica em países como Afeganistão e Paquistão. Com a facilidade das viagens internacionais e uma população com baixa proteção, basta um caso importado para que a doença se espalhe rapidamente entre as crianças não vacinadas. A meta de vacinação recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 95%, mas o Brasil não atinge esse patamar há anos.
O que é a poliomielite?
Também conhecida como pólio ou paralisia infantil, a poliomielite é uma doença contagiosa causada por um vírus que ataca o sistema nervoso. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com fezes de pessoas infectadas ou, de forma menos comum, por meio de gotículas de saliva ao falar, tossir ou espirrar.
Na maioria dos casos, a infecção não apresenta sintomas ou se manifesta de forma leve, com febre, dor de cabeça e garganta. No entanto, em sua forma mais grave, o vírus pode atingir a medula espinhal e o cérebro, causando paralisia irreversível nos músculos, principalmente das pernas. Em situações extremas, a doença pode ser fatal se os músculos respiratórios forem afetados.
A vacinação é a única saída
Não existe tratamento específico para a poliomielite, apenas a prevenção por meio da vacina. O imunizante é seguro, eficaz e oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o território nacional. Manter a caderneta de vacinação das crianças em dia é a única forma de garantir a proteção individual e coletiva.
O esquema vacinal atual prevê três doses da vacina injetável (VIP) aos dois, quatro e seis meses de idade. Depois, são aplicadas duas doses de reforço com a famosa vacina oral em gotas (VOP), a “gotinha”, aos 15 meses e aos quatro anos de idade. A baixa adesão a esse calendário coloca em risco uma conquista histórica da saúde pública brasileira.








