O desaparecimento de um morador de Brasília que viajou a São Paulo para comprar um carro anunciado na internet acendeu um alerta nacional. Embora o caso ainda esteja sob investigação policial, ele expõe os perigos de um tipo de fraude cada vez mais comum no ambiente digital: o golpe do falso intermediário, popularmente conhecido como “golpe do carro”.
Nessa modalidade, criminosos se passam por vendedores ou intermediários para enganar tanto quem vende quanto quem compra um veículo. A estratégia é bem elaborada e explora a busca por preços atrativos e a confiança das pessoas em negociações online.
Como o golpe é aplicado
O golpe começa quando o fraudador encontra um anúncio real de um veículo na internet. Ele clona as fotos e as informações, criando um novo anúncio em outra plataforma por um preço significativamente menor, tornando a oferta quase irrecusável.
Quando um comprador interessado entra em contato, o golpista inventa uma história para justificar o valor baixo, como uma dívida urgente ou a necessidade de vender rápido. Ao mesmo tempo, ele contata o vendedor original, dizendo que tem um cliente para o carro, mas pede para não comentar sobre valores, pois se trata de uma negociação paralela.
O criminoso marca um encontro entre o comprador e o vendedor real. Como ambos foram instruídos a não discutir o preço, a visita ocorre sem problemas. Após a vistoria, o golpista envia ao comprador os dados de uma conta bancária para a transferência do valor, que, claro, pertence a ele ou a um laranja. O dinheiro é enviado e o fraudador desaparece.
7 dicas para não cair em golpes
- Desconfie de ofertas muito vantajosas: preços muito abaixo da tabela Fipe são o principal atrativo para golpes. Sempre pesquise o valor de mercado do modelo desejado.
- Verifique a documentação: peça fotos ou cópias do documento do veículo (CRLV) e do documento de identificação do proprietário. Verifique se os nomes e dados batem.
- Converse diretamente com o dono: durante a visita, faça perguntas que só o verdadeiro proprietário saberia responder. Questione sobre o histórico do carro, manutenções e o motivo da venda.
- Nunca faça pagamentos antecipados: não realize transferências, depósitos ou pagamentos via Pix como sinal ou reserva sem ter certeza absoluta da legitimidade da transação e sem um contrato assinado.
- Combine o encontro em local seguro: prefira locais públicos e movimentados, como estacionamentos de shoppings, ou vá diretamente a um cartório para formalizar a transferência.
- Confira a titularidade da conta: o pagamento final deve ser feito exclusivamente em uma conta bancária no nome do proprietário do veículo que consta no documento. Recuse transferências para contas de terceiros.
- Realize uma vistoria cautelar: contrate uma empresa especializada para fazer uma vistoria completa no veículo. O serviço verifica a procedência, a estrutura e a documentação, identificando possíveis problemas ou adulterações.










