Apesar da grande expectativa, os novos e potentes remédios para colesterol alto, conhecidos como inibidores de PCSK9, ainda não estão disponíveis de forma ampla no Sistema Único de Saúde (SUS). A tecnologia, que promete reduzir drasticamente os níveis de colesterol LDL (o “colesterol ruim”), representa uma esperança para pacientes de alto risco, mas seu acesso na rede pública enfrenta barreiras significativas.
O principal obstáculo para a incorporação é o alto custo do tratamento, que pode chegar a dezenas de milhares de reais por ano por paciente. Por se tratar de uma terapia biológica que utiliza anticorpos monoclonais, seu valor é muito superior ao das estatinas, os medicamentos mais comuns para controle do colesterol. Essa diferença de preço pesa na análise de custo-efetividade realizada pelo governo.
A decisão de incluir qualquer novo medicamento no SUS passa por uma avaliação rigorosa da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). O órgão analisa as evidências científicas de eficácia, segurança e o impacto econômico para o sistema. Até o momento, as avaliações de medicamentos específicos dessa classe, como o evolocumabe e o alirocumabe, tiveram recomendação desfavorável da Conitec para incorporação ampla, justamente pela relação entre o custo elevado e o benefício oferecido em comparação com as terapias já existentes.
Como funciona o novo tratamento?
Diferente das estatinas, que diminuem a produção de colesterol pelo fígado, os inibidores de PCSK9 atuam de outra forma. Eles bloqueiam uma proteína chamada PCSK9, que destrói os receptores responsáveis por remover o colesterol LDL da corrente sanguínea. Ao inibir essa proteína, mais receptores ficam disponíveis no fígado para “limpar” o sangue, resultando em uma queda acentuada do colesterol ruim.
O tratamento é administrado por meio de injeções subcutâneas, aplicadas pelo próprio paciente, geralmente a cada duas ou quatro semanas, dependendo do medicamento específico. Novas tecnologias, como terapias de RNA e até mesmo comprimidos, estão em desenvolvimento, mas ainda não estão disponíveis no mercado.
Quem teria direito ao medicamento?
- Pessoas com hipercolesterolemia familiar, uma condição genética que causa níveis extremamente elevados de colesterol desde a infância.
- Pacientes que já sofreram infarto ou AVC e não conseguem atingir as metas de colesterol LDL mesmo com o uso de estatinas na dose máxima tolerada.
- Indivíduos com intolerância comprovada às estatinas.
Por enquanto, o acesso a essa classe de medicamentos no Brasil continua restrito à rede privada. Os principais fármacos disponíveis são o evolocumabe (Repatha) e o alirocumabe (Praluent), acessíveis por meio de planos de saúde que oferecem cobertura ou por compra particular. A situação pode mudar futuramente, caso surjam novas negociações de preço entre o governo e as farmacêuticas ou novas evidências que reforcem seu custo-benefício.









