Uma classe de medicamentos está transformando o tratamento do colesterol alto para pacientes que não obtêm resultados apenas com as terapias tradicionais. Conhecidos como inibidores de PCSK9, esses fármacos oferecem uma abordagem inovadora e potente para reduzir os níveis de LDL, o chamado “colesterol ruim”, e já estão disponíveis no Brasil.
Diferente das estatinas, que agem diminuindo a produção de colesterol pelo fígado, os inibidores de PCSK9 atuam de outra maneira. Eles bloqueiam a ação de uma proteína chamada PCSK9. Essa proteína tem a função de destruir os receptores de LDL no fígado, que são as portas de entrada para que o colesterol seja removido da corrente sanguínea.
Ao neutralizar a PCSK9, o medicamento permite que um número muito maior de receptores de LDL permaneça ativo na superfície das células do fígado. Com mais receptores trabalhando, o órgão se torna muito mais eficiente em “limpar” o colesterol ruim do sangue, o que pode levar a uma redução de até 60% nos níveis de LDL.
No Brasil, dois medicamentos dessa classe foram aprovados pela ANVISA: o evolocumabe (Repatha) e o alirocumabe (Praluent).
Para quem o tratamento é indicado
Essa terapia não é considerada a primeira opção para todos os casos, sendo reservada para situações mais específicas. Geralmente, os inibidores de PCSK9 são recomendados para pessoas com alto risco cardiovascular que não conseguem atingir suas metas de colesterol apenas com o uso de estatinas em doses máximas.
O tratamento também é indicado para pacientes com hipercolesterolemia familiar, uma condição genética que causa níveis extremamente elevados de colesterol desde a infância. Além disso, pessoas que apresentam intolerância comprovada aos efeitos colaterais das estatinas podem se beneficiar dessa nova alternativa terapêutica.
A administração do medicamento é outro diferencial importante. Em vez de comprimidos diários, o tratamento consiste em injeções subcutâneas, semelhantes às de insulina, que o próprio paciente pode aplicar em casa. A frequência varia de acordo com o medicamento e dosagem: o evolocumabe pode ser aplicado quinzenalmente ou mensalmente, enquanto o alirocumabe geralmente é aplicado a cada duas semanas.









