A chuva de granizo, que por vezes surpreende moradores de cidades como Piracicaba (SP), levanta uma dúvida comum: como pedras de gelo se formam e caem do céu? O fenômeno, apesar de parecer complexo, ocorre a partir de um processo bem definido dentro de um tipo específico de nuvem.
Tudo começa nas nuvens do tipo Cumulonimbus, conhecidas por seu grande desenvolvimento vertical, que podem atingir mais de 15 quilômetros de altura. Pense nelas como grandes torres no céu, repletas de umidade e com fortes correntes de ar subindo e descendo em seu interior.
Essas correntes de ar ascendentes são o motor para a formação do granizo. Elas são tão intensas que conseguem levar gotículas de água para as partes mais altas e geladas da nuvem, onde as temperaturas ficam muito abaixo de 0 °C. É nesse ambiente que a “mágica” acontece.
Passo a passo da formação do granizo
O processo de criação das pedras de gelo pode ser entendido como um ciclo de congelamento que se repete várias vezes. Ele funciona da seguinte forma:
- Congelamento inicial: as correntes de ar levam as gotículas de água para o topo da nuvem. Lá, elas se congelam e formam um pequeno núcleo de gelo.
- Ciclo de subida e descida: esse núcleo de gelo começa a cair, mas é capturado novamente por outra corrente de ar ascendente e levado de volta para cima.
- Crescimento em camadas: a cada subida, o núcleo de gelo coleta mais gotículas de água, que se congelam ao seu redor, formando uma nova camada. O processo se assemelha à formação de uma cebola, com várias camadas.
- Queda: o ciclo se repete até que a pedra de gelo fique tão pesada que as correntes de ar não consigam mais sustentá-la. Nesse momento, ela vence a força dos ventos e cai em direção ao solo.
A intensidade das correntes de ar dentro da nuvem define o tamanho final do granizo. Ventos mais fortes conseguem manter as pedras por mais tempo no ciclo de sobe e desce, resultando em pedras maiores e com mais camadas de gelo.
A classificação oficial do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) define como granizo as pedras de gelo com diâmetro igual ou superior a 5 milímetros. É importante notar também que as pedras podem derreter parcialmente durante a queda ao atravessar camadas de ar mais quentes, o que explica por que nem sempre chegam tão grandes ao solo.
É importante não confundir granizo com chuva congelada. A chuva congelada é formada por gotas de chuva que congelam ao passar por uma camada de ar frio perto do solo, enquanto o granizo já chega ao chão em estado sólido, formado inteiramente dentro da nuvem de tempestade.
Tempestades com granizo são mais comuns em dias quentes e úmidos, quando há maior instabilidade atmosférica, o que favorece a formação das potentes nuvens Cumulonimbus. Dependendo do tamanho, as pedras podem causar danos significativos em plantações, telhados e veículos.










