Alertas de tempestades com ventos fortes e possibilidade de granizo, como os emitidos para diversas cidades brasileiras, levantam uma dúvida comum: por que algumas chuvas vêm acompanhadas de pedras de gelo e outras não? A resposta está em um conjunto de condições muito específicas que precisam se alinhar dentro das nuvens para que o fenômeno aconteça.
O granizo se forma exclusivamente em nuvens de tempestade de grande desenvolvimento vertical, conhecidas como cumulonimbus. Dentro delas, correntes de ar ascendentes muito fortes são o motor principal do processo. Essas correntes carregam gotículas de água para altitudes extremamente elevadas, onde as temperaturas são muito abaixo de zero.
Ao atingir essa camada gelada, as gotículas congelam e se transformam em pequenas partículas de gelo. O peso faz com que comecem a cair, mas no caminho elas colidem com mais gotículas de água, que aderem à sua superfície. Antes que possam deixar a nuvem, as mesmas correntes de ar ascendentes as empurram novamente para o alto, congelando a nova camada de água.
Esse ciclo de sobe e desce pode se repetir várias vezes. A cada subida, uma nova camada de gelo é adicionada, fazendo a pedra de granizo crescer em tamanho, de forma semelhante às camadas de uma cebola.
O que define uma tempestade com granizo?
A principal diferença entre uma tempestade comum e uma com potencial para granizo é a intensidade dessas correntes de ar ascendentes. Elas precisam ser fortes o suficiente para vencer a força da gravidade e manter as pedras de gelo suspensas dentro da nuvem enquanto crescem. Em tempestades mais fracas, as gotas de água ou pequenos cristais de gelo simplesmente caem como chuva ou neve.
Essa força vertical é alimentada pela instabilidade atmosférica, ou seja, uma grande diferença de temperatura entre o ar quente e úmido próximo à superfície e o ar muito frio nas camadas superiores da atmosfera. No Brasil, essas condições são mais comuns nas regiões Sul e Sudeste. Quanto maior essa diferença, mais energia a tempestade terá para criar ventos intensos.
O tamanho final do granizo, que geralmente varia de 5 a 50 milímetros de diâmetro, depende diretamente da potência dessas correntes e do tempo que a pedra de gelo permanece nesse ciclo. Tempestades mais severas podem produzir pedras maiores, capazes de causar danos significativos a telhados, veículos e plantações. Por isso, os alertas meteorológicos que preveem o fenômeno exigem atenção redobrada.










