A escolha de um vice na chapa presidencial, movimento que agita os bastidores da política, revela muito mais do que uma simples aliança eleitoral. No Brasil, a história mostra que o número dois na linha de sucessão pode ser decisivo para o futuro do país, seja garantindo a governabilidade ou protagonizando rupturas institucionais. Longe de ser uma figura decorativa, o vice-presidente já mudou os rumos da nação em momentos críticos.
Em diversas ocasiões, a pessoa que ocupava o Palácio do Jaburu assumiu o protagonismo e redefiniu o cenário político e econômico. Relembre cinco episódios em que a figura do vice foi fundamental para a estabilidade ou para a crise na história recente do país.
Cinco vices que marcaram a história
João Goulart (Jango)
A renúncia de Jânio Quadros em 1961 colocou o país em uma de suas maiores crises. A posse do vice, João Goulart, conhecido como Jango, sofreu forte oposição de militares e setores conservadores. A solução encontrada foi a implementação do parlamentarismo, que reduziu seus poderes. O episódio aprofundou a instabilidade que culminou no golpe militar de 1964.
José Sarney
Com a morte de Tancredo Neves antes mesmo de assumir o cargo em 1985, o vice José Sarney tornou-se o primeiro presidente civil após 21 anos de ditadura militar. Seu governo foi responsável por consolidar a transição democrática, mas também enfrentou uma grave crise econômica, com planos de combate à inflação que não tiveram o sucesso esperado.
Itamar Franco
Após o impeachment de Fernando Collor de Mello em 1992, o vice Itamar Franco assumiu a presidência. Foi em sua gestão que nasceu, em 1994, o Plano Real, um projeto de estabilização econômica que acabou com a hiperinflação e mudou para sempre a relação dos brasileiros com o dinheiro. Itamar deu a autonomia necessária à sua equipe econômica para criar a nova moeda.
Marco Maciel
A atuação de um vice não se mede apenas pela chegada ao poder. Durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, Marco Maciel foi uma peça-chave na articulação política. Sua habilidade para negociar com o Congresso foi fundamental para aprovar reformas importantes, incluindo a emenda da reeleição, garantindo a estabilidade e a governabilidade do período.
Michel Temer
O exemplo mais recente de grande impacto ocorreu em 2016, com o impeachment de Dilma Rousseff. O vice, Michel Temer, assumiu o comando do país e promoveu uma guinada na agenda política e econômica. Aprovou medidas de austeridade, como o Teto de Gastos, e uma polêmica reforma trabalhista, alterando significativamente as diretrizes do governo anterior.








