Um acidente grave como o que ocorreu com um ônibus em Cruzeiro (SP) neste mês, com dezenas de vítimas, aciona um protocolo de emergência complexo e coordenado. A prioridade das equipes de resgate, como Corpo de Bombeiros e SAMU, não é atender o primeiro ferido que encontram, mas sim organizar a cena para salvar o maior número de vidas possível.
O primeiro passo, antes mesmo de tocar em qualquer vítima, é garantir a segurança do local. Os socorristas avaliam riscos de novas colisões, incêndios por vazamento de combustível ou instabilidade de veículos. Apenas com a cena estabilizada, o atendimento efetivamente começa, seguindo um método internacional de triagem.
Triagem: o método para salvar mais vidas
Conhecido como método START (Simple Triage and Rapid Treatment), o sistema classifica as vítimas por cores, de acordo com a gravidade de seus ferimentos. Uma fita colorida é amarrada em cada pessoa, definindo a prioridade do atendimento e do transporte. O objetivo é otimizar os recursos e o tempo, que é crucial em situações críticas.
A classificação funciona da seguinte forma:
- Vermelho: vítimas com ferimentos gravíssimos, risco iminente de morte, como hemorragias severas ou problemas respiratórios agudos. Precisam de atendimento e transporte imediato.
- Amarelo: feridos com lesões graves, mas que podem aguardar alguns minutos sem risco de morte iminente. É o caso de fraturas múltiplas, por exemplo.
- Verde: vítimas com ferimentos leves, que podem andar e não precisam de socorro imediato. Geralmente são encaminhadas para uma área segura para aguardar.
- Preto: pessoas sem sinais vitais ou com ferimentos incompatíveis com a vida. A decisão, embora difícil, permite que a equipe concentre esforços em quem tem chance de sobreviver.
Essa triagem inicial é feita de forma muito rápida, levando menos de um minuto por vítima. A agilidade é fundamental para o sucesso da operação, pois muitos ferimentos graves precisam de intervenção hospitalar na chamada “hora de ouro”, os primeiros 60 minutos após o trauma.
Após a classificação, as ambulâncias começam a transportar os feridos, seguindo a ordem das cores. A logística de transporte também é coordenada para evitar a superlotação de um único hospital, distribuindo as vítimas na rede de saúde conforme a capacidade e especialidade de cada unidade.










