O uso indevido da buzina no trânsito, que recentemente voltou a ser discutido por conta de multas previstas no Código de Trânsito Brasileiro, vai muito além de uma simples infração. A exposição constante a sons altos, como os de uma buzina acionada de perto, representa um risco real para a audição e pode desencadear uma série de problemas de saúde associados à poluição sonora.
A resposta curta é sim: buzinas altas podem prejudicar seriamente a audição. O som é medido em decibéis (dB), e uma buzina de carro comum pode facilmente ultrapassar 110 dB — a legislação brasileira, por exemplo, permite um limite máximo de até 112 dB. O problema é que a exposição a qualquer ruído acima de 85 dB já é considerada perigosa, e o dano depende diretamente do tempo de exposição. Enquanto o limite seguro para 85 dB é de oito horas diárias, para um som de 110 dB, esse tempo cai para menos de dois minutos, podendo causar danos permanentes às células sensoriais do ouvido interno.
Essas células, uma vez destruídas, não se regeneram. O resultado é a perda auditiva progressiva e, em muitos casos, o surgimento de zumbido, uma condição que provoca um chiado ou apito constante nos ouvidos e que frequentemente não tem cura. Um único disparo de buzina muito próximo de uma pessoa pode causar um trauma acústico, com potencial para levar a uma perda auditiva imediata.
Além da surdez: outros efeitos da poluição sonora no corpo
A poluição sonora não afeta apenas os ouvidos. O barulho excessivo e constante do trânsito urbano funciona como um gatilho para a liberação de hormônios do estresse, como o cortisol, gerando consequências de longo prazo para a saúde geral do corpo. A irritação imediata é apenas a ponta do iceberg.
Entre os principais problemas de saúde associados à exposição a ruídos intensos estão:
- Aumento da pressão arterial e do risco de doenças cardiovasculares.
- Distúrbios do sono, como insônia e queda na qualidade do descanso.
- Dores de cabeça, crises de ansiedade e maior irritabilidade.
- Dificuldade de concentração e queda no desempenho cognitivo.
As regras de trânsito que limitam o uso da buzina, portanto, não servem apenas para organizar o fluxo de veículos. Elas são também uma medida de saúde pública, projetada para reduzir o impacto negativo do ruído na qualidade de vida de todos nas cidades. A orientação para motoristas é clara: usar o sinal sonoro apenas em toques breves e em situações de real necessidade para evitar acidentes.










