Dois anos após o prazo final estabelecido para 2 de agosto de 2024, o Brasil ainda enfrenta um grave desafio de saúde pública: a persistência de lixões a céu aberto. A meta, que determinava a desativação dessas áreas em todos os municípios com menos de 50 mil habitantes, não foi cumprida em sua totalidade. Como resultado, milhares de depósitos irregulares de lixo continuam ativos no país, representando uma ameaça direta ao meio ambiente e, principalmente, à população.
O descarte inadequado de lixo gera um líquido escuro e de odor forte conhecido como chorume. Altamente tóxico, ele é composto por substâncias químicas e metais pesados que infiltram o solo e atingem os lençóis freáticos, que são fontes subterrâneas de água potável para muitas cidades. A contaminação desses reservatórios compromete o abastecimento e a segurança hídrica.
Além da água, o ar também é poluído. A decomposição da matéria orgânica nos lixões libera gases como o metano e o gás carbônico. O metano, além de ser um potente gás de efeito estufa, é altamente inflamável e pode causar explosões. A fumaça proveniente da queima, muitas vezes espontânea, do lixo agrava quadros de doenças respiratórias na população do entorno.
O acúmulo de resíduos também cria um ambiente ideal para a proliferação de vetores de doenças, como ratos, baratas, moscas e o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Principais riscos dos lixões à saúde
A exposição direta ou indireta aos contaminantes presentes nos lixões está associada a uma série de problemas de saúde. As principais ameaças incluem:
- Doenças infecciosas: o contato com animais e insetos transmissores pode causar leptospirose, febre tifoide e diversas viroses.
- Problemas gastrointestinais: o consumo de água ou alimentos contaminados pelo chorume pode levar a infecções, diarreia e hepatite A.
- Doenças respiratórias: a inalação constante dos gases e da fumaça tóxica pode desencadear ou agravar casos de asma, bronquite e outras alergias.
- Problemas de pele: o contato direto com os resíduos pode causar dermatites, micoses e outras infecções cutâneas, afetando principalmente os catadores de materiais recicláveis que trabalham nesses locais sem proteção adequada.
A determinação para o fim dos lixões faz parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê a substituição dessas áreas por aterros sanitários. Nesses locais, o solo é impermeabilizado para evitar a contaminação por chorume, que é coletado e tratado, e os gases são captados para evitar a poluição do ar.
Os municípios que não cumpriram a meta estão sujeitos a sanções legais e podem perder o acesso a recursos federais destinados à área de saneamento básico.









