
Nos primeiros 12 dias de 2026, foram registrados 87 casos suspeitos de dengue em Caldas Novas (GO), município com mais de 100 mil habitantes. Por isso, na última terça-feira (13/1), o prefeito Kleber Marra decretou situação de calamidade pública devido à alta incidência de casos. Segundo o decreto publicado, houve ainda 36 notificações de casos de chikungunya. A arbovirose também é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue.
Com registros de casos de dengue superiores ao mesmo período de anos anteriores, o governo local avalia que há início de uma severa epidemia, o que representa um grave risco à saúde pública.
De acordo com o infectologista do Hospital Brasília, da Rede Américas Henrique Valle Lacerda, a epidemia registrada em Caldas Novas pode chegar a Brasília. "A dengue não respeita limites geográficos. Depende, principalmente, da presença do Aedes aegypti e da circulação do vírus em uma população suscetível. O deslocamento de pessoas infectadas, aliado a condições climáticas favoráveis e à existência de criadouros do mosquito, cria um cenário propício para a transmissão local", explica o médico.
Para evitar que isso ocorra, segundo o especialista, é fundamental intensificar as ações de controle do vetor, com eliminação sistemática de água parada, fortalecimento da atuação dos agentes de saúde, vigilância epidemiológica ativa e adesão da população às medidas individuais de proteção. "É recomendado o uso regular de repelentes e a busca precoce por atendimento diante de sintomas suspeitos, além da vacinação nos grupos indicados, que ajuda a reduzir casos graves e a pressão sobre o sistema de saúde", orienta Henrique Valle Lacerda.
A médica especialista em Família e Comunidade e integrante da plataforma de consultas INKI Liliana Leite afirma que a situação em Caldas Novas não é um evento isolado, mas sim, um reflexo de um cenário de "hiperendemização" no Brasil, onde circulam simultaneamente os quatro sorotipos do vírus.
"A possibilidade de chegar a Brasília fundamenta-se em três pilares principais observados nos estudos epidemiológicos mais recentes. A conectividade e mobilidade, uma vez que existe um gluxo intenso de pessoas entre o Sul de Goiás e o DF; o clima e o ambiente, já que Brasília compartilha as mesmas condições climáticas e a erosão de barreiras, uma vez que a urbanização acelerada criou um corredor contínuo para o vetor", detalha Liliana. "Para impedir que a introdução do vírus se transforme em uma epidemia de grandes proporções no DF, a resposta precisa ser integrada e imediata, focando em retirar as condições que o mosquito precisa para se reproduzir", alerta.
Situação no DF
Em 2024, ano marcado por uma epidemia em todo o país, o DF registrou 278 mil casos da doença e 440 mortes. Em 2025, os números caíram 96%, com aproximadamente 11 mil casos e um óbito. Este ano, um caso foi registrado até o momento, segundo dados da Secretaria de Saúde (SES-DF). De acordo com a pasta, a redução está associada ao trabalho contínuo de vigilância epidemiológica, monitoramento dos casos e ações da Vigilância Ambiental para o controle do mosquito transmissor.
Apesar da redução, a SES-DF informou que ampliou as ações de prevenção ao longo de todo o ano, especialmente após os altos índices registrados em 2024. De acordo com a pasta, o enfrentamento ao Aedes aegypti passou a atingir todas as fases de desenvolvimento do mosquito — do ovo ao inseto adulto — com reforço das visitas domiciliares, controle ambiental e uso de larvicidas em áreas de grande circulação.
Ao todo, foram convocados 428 Agentes de Vigilância Ambiental em Saúde e 432 Agentes Comunitários de Saúde, com visitas a mais de 1,8 milhão de casas. As ações incluem a aplicação de borrifação residual em imóveis estratégicos, a instalação de mais de 3,2 mil estações disseminadoras de larvicidas — que ampliam a autodisseminação do produto — e o uso de cerca de 3,8 mil ovitrampas para monitorar a presença do mosquito. No combate ao mosquito adulto, a SES-DF mantém ações de bloqueio químico por pulverização espacial e intervenções preventivas em pontos considerados críticos.
A Secretaria informou que utiliza drones no mapeamento aéreo de áreas prioritárias, o que permitiu a análise de mais de 2,1 mil hectares em 22 regiões administrativas e a identificação de milhares de possíveis focos. Outra frente destacada é o uso do método Wolbachia, com a liberação de mosquitos infectados pela bactéria que impede o desenvolvimento de vírus como os da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela, em 10 regiões administrativas com histórico de alta transmissão.
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Com relação à vacinação, o imunizante contra a dengue segue disponível nas Unidades Básicas de Saúde para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em esquema de duas doses com intervalo de 90 dias, sem previsão de ampliação da faixa etária.
Sintomas
- Febre alta
- Enjoo
- Dor nas articulações
- Dor de cabeça e/ou atrás dos olhos
- Moleza
- Manchas vermelhas pelo corpo
Sinais mais graves
- Dor na barriga intensa
- Vômitos frequentes
- Tontura ou sensação de desmaio
- Dificuldade de respirar
- Sangramento no nariz, gengivas e fezes
- Cansaço e/ou irritabilidade
Como se proteger
- Uso de telas nas janelas e repelentes em áreas de reconhecida transmissão;
- Remoção de recipientes que possam se transformar em criadouros de mosquitos;
- Vedação dos reservatórios e caixas de água;
- Desobstrução de calhas, lajes e ralos;
- Participação na fiscalização das ações de prevenção e controle da dengue executadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
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