O fundador da gigante imobiliária Evergrande, Xu Jiayin, foi condenado à prisão perpétua por crimes financeiros, marcando um dos pontos altos da campanha anticorrupção do governo chinês. A decisão, anunciada nesta quinta-feira (20) pelo Tribunal Intermediário de Shenzhen, determina ainda o confisco de todos os bens do empresário, que já foi um dos homens mais ricos do país. A sentença reflete uma política de tolerância zero de Pequim contra fraudes e má conduta no setor corporativo.
A condenação de Xu Jiayin está ligada diretamente ao colapso da Evergrande, que acumulou passivos que somam cerca de US$ 330 bilhões. A empresa foi acusada de inflar suas receitas e lucros durante anos, enganando investidores e credores. A quebra da companhia gerou uma crise de confiança no setor imobiliário chinês, que representa uma parte significativa da economia do país, deixando milhões de compradores de imóveis em situação de incerteza.
O governo interveio para gerenciar a crise e evitar um contágio financeiro mais amplo. A punição severa ao fundador da empresa serve como um aviso claro a outros executivos sobre as consequências de práticas ilegais. A mensagem é que ninguém, independentemente de sua fortuna ou influência, está acima da lei.
O cerco se fecha em outras áreas
A ofensiva anticorrupção do presidente Xi Jinping não se limita ao setor imobiliário. Em novembro de 2024, o mundo do futebol chinês também foi alvo de investigações que resultaram em punições rigorosas. Chen Xuyuan, ex-presidente da Associação Chinesa de Futebol, também foi condenado à prisão perpétua por aceitar subornos que somam 81 milhões de yuanes (cerca de US$ 11 milhões).
Outros dirigentes e até mesmo jogadores foram detidos e condenados por envolvimento em esquemas de manipulação de resultados e corrupção. As ações buscam limpar a imagem do esporte no país e reafirmar o controle do Partido Comunista sobre todas as esferas da sociedade, incluindo o entretenimento e os negócios.
Essa onda de prisões de bilionários e figuras influentes demonstra a determinação do governo chinês em combater a corrupção sistêmica. As autoridades buscam estabilizar a economia, reduzir riscos financeiros e garantir que o desenvolvimento do país siga as diretrizes estabelecidas pelo partido, reforçando o poder centralizado e a disciplina interna.










