A China está levando sua vasta experiência em combate à desertificação para o coração da Ásia Central. Em uma cooperação com o Uzbequistão, o país aplica tecnologias para tentar recuperar o fundo exposto do Mar de Aral, que já foi o quarto maior lago do mundo e secou drasticamente nas últimas décadas. A iniciativa busca restaurar a vegetação e estabilizar o solo salino para mitigar as devastadoras tempestades de poeira na região.
O conhecimento chinês foi construído ao longo de décadas de trabalho em desertos como o de Taklamakan. Agora, essas soluções são a esperança para reverter parte da crise ambiental no antigo mar, onde o Uzbequistão já plantou mais de 45 milhões de árvores desde 2021.
Conheça cinco tecnologias usadas no projeto do Mar de Aral:
1. Barreiras quadriculadas de contenção
Uma das técnicas mais eficazes consiste em criar uma enorme rede de quadrados no solo do deserto usando palha. Essas barreiras, com cerca de um metro de cada lado, diminuem a velocidade do vento na superfície, impedem que a areia se mova e ajudam a reter umidade. Com o tempo, a matéria orgânica se decompõe e enriquece o solo.
2. Seleção de espécies ultrarresistentes
O sucesso do projeto depende da escolha de plantas que sobrevivam em condições extremas de salinidade e seca. A China é especialista no cultivo de espécies halófitas (tolerantes ao sal), como a Haloxylon ammodendron, um arbusto do deserto que é crucial por fixar as dunas e criar um microclima que permite a outras plantas crescerem.
3. Cultivo e envio de sementes em massa
Para cobrir áreas vastas, é necessária uma logística eficiente. A China desenvolveu métodos para a produção em massa de sementes de espécies adaptadas. Em 2025, o país enviou mais de uma tonelada de sementes para o Uzbequistão, garantindo o material genético necessário para o reflorestamento em grande escala.
4. Técnicas de plantio em solo arenoso
Plantar mudas em dunas é um desafio, pois as raízes precisam alcançar rapidamente as camadas mais úmidas do subsolo. Especialistas aprimoraram métodos para inserir as mudas na profundidade correta, usando ferramentas que protegem a raiz durante o plantio, o que aumenta significativamente as taxas de sobrevivência no ambiente hostil.
5. Monitoramento com drones e satélites
A tecnologia moderna é usada para mapear as áreas mais críticas, monitorar o progresso do crescimento da vegetação e avaliar a saúde do ecossistema em tempo real. Drones e imagens de satélite permitem que as equipes ajustem suas estratégias de forma rápida e eficiente, garantindo que os recursos sejam aplicados onde são mais necessários.










