A proposta de adotar o voto distrital misto no Brasil voltou ao centro do debate político, impulsionada por declarações feitas em 24 de agosto de 2026 pelo vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, durante um evento no Tribunal de Contas do Município de São Paulo. O ministro classificou o atual sistema proporcional como “falido” e defendeu um novo modelo que, segundo apoiadores, aproximaria os eleitores de seus representantes.
Mas, na prática, o que mudaria nas urnas? O sistema distrital misto combina duas formas de votação em uma só eleição para cargos legislativos, como deputados federais e estaduais. O objetivo é equilibrar a representatividade regional com a força ideológica dos partidos políticos.
Como funciona o voto distrital misto?
Se o modelo fosse implementado, o eleitor teria dois votos para o Legislativo. Cada um teria uma finalidade diferente, dividindo as vagas do parlamento em proporções que podem variar. Funciona assim:
- O voto no candidato: parte das vagas seria preenchida por candidatos eleitos em distritos. O país seria dividido em áreas geográficas menores, e cada uma elegeria seu próprio representante. Venceria o candidato mais votado no distrito, em um sistema majoritário, semelhante ao que hoje elege prefeitos e senadores.
- O voto no partido: a outra parte das vagas seria preenchida com base no voto em uma lista fechada de candidatos, definida previamente pelos partidos. O eleitor votaria na sigla de sua preferência, e os partidos que atingissem uma cláusula de barreira receberiam um número de cadeiras proporcional ao total de votos obtidos por estado, considerando a eleição de deputados federais.
Dessa forma, o Congresso Nacional ou as assembleias legislativas seriam compostos tanto por políticos com forte base local quanto por nomes indicados pelos partidos para representar suas plataformas. Em sua fala, Moraes sugeriu uma transição gradual, que começaria com 30% das vagas preenchidas pelo voto distrital e 70% pelo sistema proporcional de lista.
Qual a diferença para o sistema atual?
Hoje, o Brasil utiliza o sistema proporcional de lista aberta para eleger deputados e vereadores. Nele, o eleitor vota em um candidato específico, mas seu voto também conta para a legenda do partido. Os votos de todos os candidatos de uma sigla são somados para calcular quantas cadeiras o partido terá direito, o chamado quociente eleitoral.
As vagas conquistadas são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro do partido. É por isso que, muitas vezes, um candidato com muitos votos (um “puxador de votos”) ajuda a eleger outros do mesmo partido que tiveram uma votação individual menor.
A principal mudança do distrital misto seria a criação de um vínculo direto entre o eleito e a região que o escolheu. O argumento dos defensores é que isso aumentaria a cobrança e a fiscalização sobre o mandato. Por outro lado, críticos apontam riscos como a manipulação no desenho dos distritos para favorecer grupos políticos específicos (prática conhecida como gerrymandering) e o fortalecimento excessivo de cúpulas partidárias, que controlariam a elaboração da lista fechada, podendo diminuir a renovação política.






