Um fenômeno conhecido como meteotsunami atingiu o litoral da Espanha em agosto de 2026, causando variações repentinas no nível do mar de até 70 centímetros em poucos minutos em locais como Xàbia, Santa Pola e Gandia. Diferente das ondas gigantes geradas por terremotos, este evento é provocado por rápidas mudanças na pressão atmosférica sobre a água.
O termo, também conhecido como “rissaga” em algumas regiões da Espanha como as Ilhas Baleares, pode ser novo para muitos, mas o mecanismo por trás dele é puramente meteorológico. Basicamente, quando uma tempestade ou uma linha de instabilidade se desloca rapidamente sobre o oceano, a alteração na pressão do ar pode empurrar a superfície da água para baixo, criando uma onda que se propaga junto com o sistema climático.
Essa onda inicial costuma ser pequena. No entanto, em condições específicas de profundidade e formato da costa, ela pode ser amplificada. O fenômeno de ressonância é o fator-chave: se a velocidade da tempestade for semelhante à velocidade da onda no mar, a energia se acumula e a onda cresce de forma significativa ao chegar em baías ou enseadas.
Qual a diferença do meteotsunami para um tsunami comum?
A principal distinção entre um meteotsunami e um tsunami convencional está na sua origem. Enquanto os tsunamis são gerados por eventos geológicos, como terremotos submarinos, erupções vulcânicas ou deslizamentos de terra, os meteotsunamis nascem exclusivamente de distúrbios atmosféricos.
Os tsunamis sísmicos deslocam uma coluna de água inteira, do fundo ao topo, resultando em ondas longas e extremamente destrutivas que podem viajar por oceanos inteiros. Já os meteotsunamis são fenômenos de superfície, mais localizados e com duração menor, embora ainda representem um risco considerável para as zonas costeiras.
Monitoramento e riscos
Prever um meteotsunami é um desafio maior do que alertar sobre um tsunami de origem sísmica, pois depende de modelos meteorológicos de alta precisão e de uma rede de sensores costeiros. Cientistas usam dados de satélites, radares e boias que medem a pressão do ar e as variações do nível do mar para identificar as condições favoráveis à sua formação.
Apesar de serem geralmente menores que os grandes tsunamis, eles podem causar inundações repentinas, danificar embarcações e infraestruturas portuárias, além de gerar correntes fortes que colocam em perigo a vida de banhistas e pessoas próximas à orla.










